Pierre de Kerchove/Divulgação
Pierre de Kerchove/Divulgação

A memória do documentário

Amir Labaki conta em É Tudo Cinema, que lança amanhã, a história do festival criado há 15 anos

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2010 | 00h00

Na apresentação de É Tudo Cinema, o livro que conta a história do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o cineasta (e montador) Eduardo Escorel observa que praticantes e apreciadores de cinema têm uma dívida impagável com o É Tudo Verdade. "O que Amir Labaki, fundador e diretor geral, vem fazendo a cada ano, com a colaboração de sua dedicada equipe, é de valor inestimável para a sedimentação da cultura do documentário no País." O próprio Amir - ninguém o chama de Labaki, talvez para não confundir com seu irmão dramaturgo, Aymar -, na introdução, conta que nunca distinguiu documentário e ficção - seja como espectador, curador ou crítico. Para ele, tudo foi sempre, e ainda é, cinema. É essa paixão, essa ausência de fronteiras, que tem feito a grandeza do Festival É Tudo Verdade.

Numa parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a história do festival está sendo agora passada a limpo pelo próprio Amir, seu criador. É Tudo Cinema terá lançamento amanhã, a partir das 11 horas, na Livraria da Vila. Numa caprichada edição permeada de fotos, o autor percorre a história do evento que criou. A divisão em capítulos, ano a ano, pode até ser óbvia, mas serve ao esforço historiográfico e mesmo didático que caracteriza o volume. Se é para contar a história do É Tudo Verdade, Amir o faz de maneira direta, sem subterfúgios.

Ele conta como tudo começou, em 1996. Naquele ano, convencido de que havia uma demanda reprimida por documentários no Brasil, Amir, num gesto "voluntarista" - como o define -, arregaçou as mangas e, com a ajuda de dois parceiros, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (o de São Paulo ainda não existia) e o CineSesc, fez o primeiro festival, ainda pequenininho.

Decorridos 15 anos, o É Tudo Verdade cresceu, mas não ainda tanto quanto ele gostaria. O festival tornou-se conhecido e respeitado, possui parceiros estáveis e tem uma estrutura (curatorial e organizacional) que segue agregando, mas os recursos ainda são limitados. "Olhando para trás, vejo que os tempos heroicos foram até 2000/2001, mas ainda é preciso matar um leão por ano", Amir avalia. Neste período todo, ele sabe que atingiu mais que o básico. A competição brasileira, menina de seus olhos, atrai o público como a mostra internacional - "Nosso público não quer ver só Michael Moore", ele diz - e as retrospectivas não apenas formam espectadores como formam autores, cineastas. Tudo isso é gratificante, mas Amir lamenta que os recursos limitados não lhe permitam trazer todos os convidados para um intercâmbio que, ele tem certeza, seria enriquecedor.

Este é o quarto livro com o selo É Tudo Verdade e apenas um é dedicado à Conferência Internacional do Documentário, que tem elevado o nível sobre a discussão do formato no Brasil. Amir não lamenta. Para que enumerar frustrações? "A vida é frustração", ele diz, e ri, filosoficamente. Mais vale o saldo positivo - as retrospectivas de Marcel Ophuls, de Joseph Wiseman e Avi Mograbi, a euforia do público, os filmes que fizeram história. Como Amir diz no livro, revisitar estes 15 anos foi como adentrar no túnel do tempo.

QUEM É

AMIR LABAKI

JORNALISTA E CINEASTA

Nasceu em 29 de janeiro de 1963, em São Paulo, e se formou em Cinema na Escola de Comunicações e Artes da USP em 85. Integra o "board" do Festival de Amsterdã, o maior evento de documentários do mundo. Em 2005, dirigiu Um Intelectual no Cinema, sobre Eduardo Escorel.

É TUDO CINEMA: 15 ANOS DE É TUDO VERDADE

Autor: Amir Labaki.

Editora: Imprensa Oficial (304 páginas, R$ 50). Local: Livraria da Vila. Al. Lorena, 1.731, tel. 3062-1063. Amanhã, 11h.

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