A melancolia criativa de Yves Saint Laurent

Na tela, um homem elegante, olhos pequenos e queixo proeminente faz um comunicado. Desgostoso com os caminhos da alta-costura - então dominada, segundo ele, por mercadores -, Yves Saint Laurent anuncia sua aposentadoria. A imagem, de arquivo, é de janeiro de 2002 e, até junho de 2008, quando morreu, ele manteve intacta a fama de ter sido um dos grandes estilistas do século 20. Eis as primeiras cenas do documentário O Louco Amor de Yves Saint Laurent, dirigido por Pierre Thoretton, sobre uma figura ao mesmo tempo genial e melancólica.

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

O fio condutor são as declarações de Pierre Bergé, companheiro e sócio de Laurent durante 50 anos. Com sua habilidade para os negócios e a genialidade do estilista, foi possível renovar o conceito da moda depois da 2.ª Guerra Mundial. Afinal, YSL transformou a forma de se vestir das mulheres, criando modelos práticos, mas elegantes.

O documentário é uma pequena joia - em seguida ao anúncio de aposentadoria de Laurent, são mostradas as imagens de seu enterro e a preparação do leilão de todas as peças de arte colecionadas pela dupla em meio século de convivência. Com mais de 300 itens, entre obras de Picasso, Matisse, de objetos do Renascimento e peças de arqueologia, era uma das mais suntuosas coleções de arte do mundo.

"Não sei se, caso eu tivesse morrido antes, Yves venderia nossa coleção", afirma Bergé, que arrecadou mais de 300 milhões. "Talvez guardasse tudo." O comentário define bem a personalidade de cada um - enquanto Bergé aparece como o cérebro da parceria, Laurent trazia o toque da genialidade. Homem refinado, amante de Proust, amigo de figuras como Catherine Deneuve e as musas Loulou de la Falaise e Betty Catroux, Laurent era um homem angustiado. "Eram poucos seus momentos de alegria", conta Bergé. "A inquietação o deprimia."

O LOUCO AMOR DE YVES SAINT LAURENT

Cinemark Cidade Jardim 5 - Hoje, 21h

Cine TAM 4 - Quarta, 19h.

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