A malvada premiada

Jane Lynch coleciona troféus por sua interpretação de Sue Sylvester, em Glee

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2011 | 00h00

No último ano, a atriz Jane Lynch teve sua vida transformada. Um mês e meio antes de completar 50 anos, a atriz, lésbica assumida, casou-se em maio com a psicóloga Lara Embry, de 41, e - justamente ela que nunca foi chegada em crianças -, tornou-se madrasta da filha de Lara, além de compartilhar de uma batalha judicial para ganhar a guarda de outra filha. Na vida profissional, viu sua personagem, a malvada Sue Sylvester de Glee, explodir no mundo inteiro, foi indicada a importantes prêmios da TV americana e, após 22 anos de carreira, recebeu seu primeiro Emmy. Foi 2011 começar que a maré de sorte (ou reconhecimento?) continuou: em janeiro, levou um Globo de Ouro por sua performance na série, que estreia hoje a segunda temporada no Brasil, na Fox, às 22 h.

Em entrevista ao Estado, com a presença da imprensa internacional, a atriz mede sua popularidade e confessa, com humor, que tem muito a ver com a sarcástica Sue Sylvester.

Sue é muito popular, o que é estranho, porque ninguém gostaria de um tipo como ela dando ordens nas escolas. Porque acha que ela tem essa popularidade?

Em geral, as pessoas gostam do que a Sue Sylvester faz. Teve professor que me falou: "Deus, como gostaria de poder dizer o que você diz." (risos) E fico encabulada, porque ela é terrível. Tipo, qual é o seu ponto fraco? Pois é lá que eu vou cutucar. Não é uma coisa legal de se fazer. Mas às vezes você gostaria de poder.

Nem sempre séries musicais deram certo na TV. Qual o segredo de Glee?

Realmente pensei sobre isso. A série funciona porque segue a receita dos musicais de teatro, que leva o personagem a um ponto de emoção que ele não tem outra escolha se não se expressar com uma canção. Ninguém canta sem razão.

Você tem algo em comum com Sue Sylvester?

Tem essa atitude de guerreira, de ser mais durona do que realmente sou. Tenho esse lado agressivo. E não preciso cavar tão fundo para achar a Sue. Ela é parte exagerada de mim parte do (roteirista) Ian Brennan, que a escreveu. É essa parte da gente que é meio: "Você não vai tirar o melhor de mim e vou fazer você se sentir tão pequeno como eu me sinto bem lá no fundo."

E a personagem foi escrita assim, ou você deu seu toque?

Foi escrita assim. Na descrição dela estava: "Sue Sylvester pode ou não ter posado para Penthouse (revista americana de nudez) e pode ou não tomar estrogênio de cavalo." Isso me deu o que seria a essência de sua crueldade, ela faz o que for preciso para ganhar. E Ian disse que se inspirou em (no criador da série) Ryan Murphy para criá-la, quando ele começa a se achar, e seu nariz começa a empinar. E sempre que Ryan me dirige, age como tal para que eu veja como fazer. E ele também vê a natureza do ator e coloca no personagem. Amo isso.

A roupa ajuda a compor a personagem? Quantos agasalhos ela deve ter?

Uns 20. Eles são confeccionados para mim. Amo. São o melhor guarda-roupa no mundo. Basicamente, trabalho de pijama. E claro que eles são uma armadura. Ela se imagina uma guerreira, um soldado. Foi ideia do Ryan. E mesmo com toda a variedade de cores, ela quer aquele uniforme diário que ela sabe que funciona e que as pessoas temem.

Você se identifica com alguém do elenco?

Com a Tina (Jenna Ushkowitz), porque ela fica lá no fundo, não faz alarde e as pessoas não sabem quanto ela é talentosa até que ela canta e você fica: "Nossa! Olha essa garota!" Na escola, me agarrei ao fato de ser engraçada para poder atravessar esse universo, o que me fez especial, mas me protegeu.

E você sabe explicar por que Sue é tão cruel?

Quando comecei a interpretá-la, sabia que tinha de haver algum traço de vulnerabilidade, para que ela fosse tão ruim. Imaginei que ela foi difamada na escola e agora está se vingando. Mas eles me deram falas incríveis que explicam como ela se tornou o que é. Talvez ela tenha sofrido bullying. E a mãe dela, uma caçadora de nazistas interpretada por Carol Brunnet, aparece nesta temporada, e vemos que ela nunca esteve em casa e abandonou Sue e a irmã com Síndrome de Down. Então, ela é construída nessa armadura, mas tem uma ternura muito, muito profunda - num momento destrói as pessoas e no outro se solidariza. Ela é muito confusa (risos). Mas é humana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.