A mais trágica das divas de Hollywood

Cinquenta anos depois de sua morte, Marilyn Monroe continua um ícone rentável. Prova é a caixa Marilyn Monroe - 50 anos (R$ 199,90), lançada por seu estúdio, a Fox Filmes, para "comemorar" a data. São 13 filmes e quatro apoios de copos com a efígie da diva, morta de uma overdose em 5 de agosto de 1962.

LUIZ ZANIN ORICCHIO - O Estado de S.Paulo,

03 de agosto de 2012 | 03h09

Deixemos de lado os porta copos e sua eventual utilidade e concentremo-nos nos filmes. O filé mignon está aí em trabalhos que se apoiam na malícia e na sensualidade de Marilyn, como O Pecado Mora ao Lado e Adorável Pecadora. Ou em seu senso cômico, como Quanto mais Quente Melhor, considerada uma das melhores comédias de todos os tempos. Ou, ainda, na melancolia profunda de Os Desajustados, talvez o seu trabalho mais pungente. Mas não se fica indiferente diante de filmes como Almas Desesperadas, Torrentes de Paixão, Os Homens Preferem as Loiras, O Rio das Almas Perdidas, Nunca Fui Santa, O Inventor da Mocidade ou o musical de Irving Berlim O Mundo da Fantasia.

Neles, vê-se essa estranha magia que faz com que algumas raras pessoas brilhem e se avolumem na tela. Agigantam-se diante da câmera. Quando estão em cena não se olha senão para elas. Era assim com Marilyn, um caso de amor conflituoso com o cinema. A câmera gostava dela; os diretores e produtores, nem sempre. Dava dinheiro, mas causava muitos problemas. Sobre isso, a melhor anedota é de Billy Wilder. Perguntaram-lhe como suportava as crises e atrasos da atriz. Ele respondeu que tinha uma velha tia, séria, pontual e eficiente, mas ninguém pagaria um cent para vê-la numa tela. Marilyn causava todos os transtornos, mas o público a adorava.

Sempre se fala que o último filme de Marilyn é o crepuscular Os Desajustados, com Clark Gable, roteiro do então marido, Arthur Miller, e dirigido por John Huston. É, de fato, seu último trabalho completo.

Com frequência se esquece do filme interrompido Something's Got to Give, inicialmente dirigido por George Cukor. No documentário O Fim dos Dias temos a reconstituição dessa história e a montagem das imagens remanescentes. Esse período turbulento é reconstruído pelas imagens e depoimentos das pessoas que com ela conviveram. Sua instabilidade emocional, a dependência de álcool e drogas , o relacionamento pouco ortodoxo com o psicanalista Ralph Greenson, os indícios de envelhecimento, a tentativa de se tornar uma atriz dramática com Lee Strassberg, o affair com os irmãos Kennedy - tudo parece ter criado uma pressão insuportável. Para a atriz e para o estúdio. As filmagens de Something's Got to Give foram interrompidas. Cerca de um mês depois, a mais trágica das divas de Hollywood foi encontrada morta.

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