A mais intensa das mulheres fatais da tela

Nos anos 1950, um furacão negro assolou Hollywood e o cinema norte-americano. Seu nome era Dorothy Dandridge e ela poderia ter sido uma estrela tão luminosa quanto, por exemplo, Marilyn Monroe. Dorothy era bonita, sexy e talentosa, mas era negra. Numa época ainda dominada por preconceitos, ela teve a chance de encontrar um diretor ousado, que bancou alguns filmes fortes para ela. Tornaram-se amantes, mas se ele desafiava os códigos da indústria para tê-la, fulgurante, na tela, nunca assumiu a ligação íntima. A bela Dorothy surtou.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Hoje, você poderá vê-la no Telecine Cult, às 13h30, no musical clássico Carmem Jones, de 1954. Preminger se havia exercitado no filme noir (Laura, Fallen Angel, Passos na Noite, Alma em Pânico, etc.), mas ele nunca criou uma mulher fatal como Carmem Jones. O filme é a versão negra da ópera de Bizet, tal como foi transportada por Oscar Hammerstein II para uma base militar norte-americana, no interior dos EUA. Carmem Jones enlouquece os homens e leva soldados e oficiais a brigarem entre si. Harry Belafonte faz a versão contemporânea do homem que comete o erro de considerá-la "sua".

Dorothy não cantava (e foi dublada por Marilyn Horner). Mas ela nunca é menos do que intensa como essa mulher catalisadora de desgraças. Anos depois de Carmem Jones, Preminger lhe ofereceu outro grande papel - em outro musical poderoso, Porgy and Bess. Carmem Jones é ainda melhor. O gênero cantado carrega em si a artificialidade. Preminger leva o realismo ao limite (e isso era inovador há 56 anos). Do elenco de apoio participa Diahn Carroll e, nos anos 1960, Preminger faria dela a protagonista negra de O Incerto Amanhã. Carmen Jones é ainda melhor, inclusive como tributo à grande arte de Dorothy Dandridge.

Jornada nas Estrelas: Nemesis

14H15 NO SBT

(Star Trek: Nemesis). EUA, 2002. Direção de Stuart Baird, com Patrick Stewart, Jonathan Frakes, Brent Spiner, LeVar Burton, Ron Pearlman.

Whoopi Goldberg aparece sem crédito, mas ela é uma das personalidades que podem se dar ao luxo de fazer isso, em qualquer filme, e as pessoas sempre saberão quem é. E, embora não seja nada original, esta aventura da série deixa-se ver com interesse, sem ser necessário que você seja trekker de carteirinha. Na trama, a tripulação da Enterprise enfrenta crise dupla - surge um clone maligno do comandante Picard e o androide Data entra em surto, comprometendo dados a bordo. Para inovações na série, é preferível o exemplar recente, dirigido por J.J. Abrams. Reprise, colorido, 126 min.

A Filha do Presidente

15H35 NA GLOBO

(First Daughter). EUA, 2004. Direção de Forest Whitaker, com Katie Holmes, Marc Blucas, Americ Rogers, Michael Keaton, Lela Rochon.

O ator Forest Whitaker dirige esta fantasia sobre a filha rebelde do presidente dos EUA. Katie Holmes é quem faz o papel e papai, alarmado com a moça, designa um agente para escoltá-la. O cara, bonitão, também a corteja (e ela não sabe que ele é um profissional). O filme é simpático, senão realmente bom. Katie está em evidência na mídia norte-americana graças a um escândalo. Seu divórcio litigioso de Tom Cruise envolve uma terceira pessoa e as revistas sensacionalistas falam na sua "vingança" contra o astro. Reprise, colorido, 104 min.

Os Maiorais

22 H NA REDE BRASIL

(The Rat Pack). EUA, 1998. Direção de Rob Cohen, com Ray Liotta, Joe Mantegna, Don Cheadle, Angus MacFadyen, William L. Petersen.

Cinebiografia do grupo que se tornou conhecido como "Rat Pack". Integrado por Frank Sinatra e seus amigos Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford, os "maiorais" fizeram história em Hollywood. Ray Liotta, há 12 anos, ainda estava mais para Bons Companheiros do que para o ser esquisito em que se transformou, depois do botox ou o que quer que seja que deformou seu rosto. Reprise, colorido, 119 min.

Todo Mundo em Pânico 3

22H15 NA BANDEIRANTES

(Scary Movie 3). EUA, 2003. Direção de David Zucker, com Anna Faris, Anthony Anderson, Leslie Nielsen, Regina Hall, Camryn Manheim, Pamela Anderson, Queen Latifah, Eddie Griffin, Charlie Sheen, Simon Rex, Ja Rule.

No terceiro filme da série iniciada por Keenan Ivory Wayans em 2000, Anna Faris e Regina Hall são as únicas remanescentes do elenco original, mas interpretam novas personagens. Anna faz uma repórter de TV e é até estranho falar em "personagem", porque o filme não se propõe a ser outra coisa senão uma sucessão de gags ironizando obras de sucesso do cinema de horror (e de outras tendências). Reprise, colorido, 85 min.

De Repente É Amor

23 H NA GLOBO

(A Lot Like Love). EUA, 2005. Direção de Nigel Cole, com Ashton Kutcher, Amanda Peet, Kathryn Hahn.

Ashton Kutcher e Amanda Peet conhecem-se num aeroporto, sentem-se atraídos, mas as circunstâncias os mantêm afastados por muitos anos. Comédia romântica que parte de uma premissa diferente - o que afasta, não aproxima as pessoas. Nem isso lhe garante a originalidade. O interesse termina por repousar quase que integralmente sobre os atores. Se você gosta de Kutcher e Amanda, poderá se divertir. Reprise, colorido, 107 min.

2010, O Ano em Que Faremos Contato

2H10 NA REDE BRASIL

(2010 - The Year We Made Contact). EUA, 1984. Direção de Peter Hyams, com John Lithgow, Helen Mirren, Bob Balaban, Keir Dull.

Diretor de boas fantasias científicas - Capricórnio Um, Outland - Comando Titânio -, Peter Hyams tenta aqui decifrar um dos enigmas mais famosos do cinema. O que representa, na verdade, o monólito negro que antecipa as grandes mudanças da humanidade em 2001, Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick? Na trama, russos e norte-americanos se unem numa missão conjunta para tentar descobrir o que ocorreu com a nave do clássico de Stanley Kubrick. Pobre Hyams - o máximo que conseguiu foi banalizar um dos grandes filmes do cinema. Reprise, colorido, 112 min.

Intercine

2H50 NA GLOBO

A emissora exibe o preferido do público entre - Duas Vidas, Um Destino, de David Anspaugh, com Marlo Thomas, Ellen Muth, Peter Friedman e Karen Robinson, sobre mulher divorciada, que luta para manter os dois filhos unidos e no bom caminho; e A Última Festa de Solteiro, de Neal Israel, com Tom Hanks, Tawny Kitaen e Michael Dudikoff, sobre o que ocorre quando amigos do noivo organizam a festa do título.

Amanhã

A Globo exibe amanhã, no Intercine, o preferido do público entre - O Predador, de John McTiernan, com Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Elpidia Carrillo e Bill Duke, sobre militar que se defronta com assassino do espaço numa floresta; o personagem do "predador" virou emblemático e apareceu em diversos filmes (EUA, 1987, fone 0800-70-9011); e O Show de Truman - O Show da Vida, de Peter Weir, com Jim Carrey, Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Ed Harris, uma espécie de precursor dos reality shows, contando a história de homem que vive a vida diante das câmeras de TV e só ele não sabe disso (EUA, 1998, fone 0800-70-9012).

TV Paga

Deus É Brasileiro

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 2002. Direção de Cacá Diegues, com Antônio Fagundes, Wagner Moura, Paloma Duarte, Stepan Nercessian, Hugo Carvana.

Disposto a tirar férias da humanidade que só lhe causa desgosto, Deus aporta em terras brasileiras, em busca de um santo para substituí-lo. O diretor Diegues baseou-se "levemente" no conto O Santo Que Acredita em Deus, de João Ubaldo Ribeiro, para fazer este filme que é bem melhor do que os críticos pensavam, há oito anos. Reprise, colorido, 110 min.

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