A mais bela camponesa

A mais bela camponesa

Ah, se todas fossem como Joss Stone... Simpática, linda e com um timbre de arrebatar uma boiada

Felipe Branco Cruz, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

Ela é linda, simpática e ainda por cima é dona de uma voz poderosa. A apresentação de Joss Stone no SWU na noite de domingo foi simplesmente memorável.

Depois do show morno de Regina Spektor, a cantora inglesa se surpreendeu com o tamanho do público presente no SWU, de 56 mil pessoas, mas não se intimidou. Ela abriu o show cantando Super Duper Love e mandou um aviso para a galera: "Vamos nos mexer. Está muito frio aqui."

 

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Mas Joss não parecia sentir frio. Ela usava um vestido leve, com estampas florais, e como de costume estava descalça. Abaixo dos seus pés apenas um tapete persa e entre uma música e outra, como boa inglesa que é, chá para aquecer. Na sequência, cantou Tell me what are we gonna do now, Baby Baby Baby, Music e Fell in Love With a Boy, essa última uma versão para o rock pesado Fell in Love With a Girl, do White Stripes.

Joss encerrou a apresentação com a balada Right To Be Wrong que, se não esquentou o público na noite fria de domingo, certamente deve ter esquentado os corações dos casais que se abraçavam e se beijavam na plateia. "Vejo aqui muitos rostos apaixonados por música", disse a cantora.

Durante a apresentação, Joss passeou com a bandeira do Brasil pelo palco e em seguida prendeu-a no pedestal do microfone. Ela ainda arrumou tempo para elogiar a programação. "Vocês têm sorte de estar aqui. Tantos shows maravilhosos. Vocês são realmente amantes da boa música." Em certo ponto do show, ela sentou-se em uma das caixas de som e homenageou Solomon Burke, soulman que morreu na manhã de domingo, aos 70 anos, quando chegava à Holanda. "Foi uma grande perda". Em seguida, dedicou a ele a canção Music.

De fato, um show como de Joss, não combina com um festival dessa magnitude. Mesmo demonstrando segurança e domínio de palco, suas baladas românticas combinariam melhor com espaços fechados, como o feito em novembro de 2009, no HSBC Brasil. A apresentação de domingo, aliás, foi bem semelhante à feita no ano passado.

A mesma coisa vale para a cantora russa Regina Spektor, que se apresentou antes de Joss, no palco ao lado. A magnitude do espaço quebrou a intimidade e esfriou o público, que aproveitou para conversar e ir ao banheiro. O show de Regina foi mais lento ainda, numa apresentação sem muita pretensão, mas com sucessos como Us, da trilha sonora do filme 500 Dias com Ela, e Fidelity, que fez parte do disco com as músicas da novela da Globo A Favorita.

Oh Dave, toca Rauuul! A descrição pode parecer ofensiva, principalmente para os fãs de Dave Matthews Band (que são muitos no Brasil), mas o que se viu do show da banda no domingo, durante o festival SWU, parecia um apanhado de excelentes músicos desconexos, reunidos sob o mesmo líder, no caso o Dave, para uma grande jam session virtuosa porém extremamente cansativa. Não raro ouvia-se da plateia um gaiato gritando a famigerada frase: "Toca Rauuuul."

Não há como criticar o talento do grupo. Todos estavam muito bem preparados executando as canções com precisão e maestria. O problema foi que boa parte do público ali presente ansiava pela principal atração da noite, o Kings Of Leon. Por isso, o que era para ser uma apresentação memorável se tornou uma cansativa e interminável sucessão de solos de guitarra, violino, bateria e violão. E olha que eles tocaram apenas uma hora e meia. Bem diferente do show no Rio de Janeiro, onde a banda tocou por quase 3 horas.

Dave Matthews não poderia se apresentar num festival desse porte. Seu som é para lugares fechados, mais próximo do público, onde eles podem desfrutar da boa música da banda sem distrações ou gaiatos fanáticos por Raul Seixas.

Excetuando os poréns, o grupo apresentou sucessos como Don"t Drink the Water, Ants Marching e All Along the Watchtower, de Bob Dylan. Músicas do novo disco, Big Whiskey and the GrooGrux King, também foram mostradas, como Shake me Like a Monkey, que abriu o show. Só faltou chegar à alma.

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