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A mãe portuguesa de Sonia Braga

Atriz fala sobre sua participação no episódio que será exibido hoje no seriado americano 'Brothers & Sisters'

Thaís Pinheiro, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2011 | 00h00

Já se vão quase 40 anos desde que Sonia Braga interpretou sua primeira e famosíssima Gabriela, na telenovela que levava o mesmo nome, adaptação de Walter George Durst da obra original de Jorge Amado. Hoje, a partir das 23 horas, no Universal Chanel, ela dá vida a uma nova Gabriela, a que ela chama de "mais um pontinho" em sua carreira. Desta vez, ela aparece na quinta temporada da série norte-americana Brothers & Sisters em uma participação especial como a mãe do francês Luc (Gilles Marini), já que ela volta no último capítulo. Sem entregar o que vem por aí, pode-se adiantar que um beijo entre ela e o jovem Justin Walker (Dave Annable) está no roteiro.

Em entrevista por telefone ao Estado, diretamente de Nova York, Sonia contou que, aos olhos de quem a critica, talvez agora ela já tenha alçado um novo patamar profissional. "Como o personagem do Gilles é francês e todos sabem que eu sou brasileira, decidiram me colocar como uma portuguesa que cresceu na França. As pessoas gostam de falar que só faço papel de latino-americana, né?! E penso "mas eu sou latino-americana, qual é o problema?" Então, agora, eu já tenho duas europeias no currículo, uma portuguesa e uma madrilena (no filme 'Lope', de Andrucha Waddington)", ironiza, às gargalhadas.

De volta aos Estados Unidos, Sonia faz questão de deixar claro que nunca teve preferências por este ou aquele lugar quando se fala de trabalho. "Alguma vez você já viu sair da minha boca que não quero trabalhar no Brasil? Eu moro aqui e moro no Rio, mas vou ao Brasil apenas a trabalho e para ver minha família. Não tenho problema nenhum em trabalhar aí. Aliás, não tenho problema nenhum em trabalhar em qualquer lugar do mundo. É só fazer a minha malinha e pegar um avião."

Tirá-la de casa, entretanto, não é tarefa das mais fáceis, nem das mais em conta. No início do ano, por exemplo, ela preferiu não participar da série Lara com Z, de Aguinaldo Silva, por discordar do cachê que estava sendo proposto como salário. "Fui convidada para fazer a série e aceitei. Aí a Globo me fez uma oferta e não aceitei, foi isso. Eles me ofereceram uma coisa ridícula, menos da metade de projetos que eu tinha feito há cinco, seis anos. Não existe essa história de que eu estava pedindo um salário internacional. A Globo se vende como uma emissora internacional, não é?! Mas ela não quer pagar para ter um produto benfeito, de qualidade", explica Sonia, que, no ano passado, apareceu em um dos episódios da série As Cariocas, de Daniel Filho.

Quanto fatura nas produções internacionais ela não revela. O que deixa o Brasil em desvantagem, segundo ela, é o "sistema". "Aqui, nos Estados Unidos, por exemplo, eu recebo até hoje direitos autorais por uma entrevista que dei nos anos 1980 toda vez que ela é reprisada. Então é um sistema bem diferente do Brasil."

E se não lhe faltam papeis lá fora, é dos personagens das décadas de 1970 e 1980 que o público brasileiro talvez tenha mais recordações suas. Mas não é de seu interesse ficar apenas no hall das lembranças por aqui. Ela não descarta, inclusive, fazer novelas.

"Gostaria de poder fazer mais coisas no Brasil, porque, por exemplo, esta série é em cable (TV por assinatura), então, são poucas pessoas que poderão me ver. Uma vez, fui a uma prainha na Amazônia - eles chamam de praia porque tem uma faixa de areia - e uma senhorinha, dona da única casa que tinha lá, me chamou para mostrar uma televisãozinha preta e branca pra dizer que ela me via lá. As pessoas lembram de mim, mas depois isso vai se apagando com o tempo", lamenta, cobrando mais empenho das emissoras para que mais folhetins sejam produzidos na TV aberta, o que seria uma maneira de pôr no ar quem está de fora há algum tempo e de levar cultura e entretenimento à população.

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