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'A Luz do Tom', de Nelson Pereira, abre 16.º FAM

O festival Florianópolis Audiovisual Mercosul começa na noite desta sexta-feira e vai até o dia 22

LUIZ ZANIN ORICCHIO - O Estado de S.Paulo,

15 de junho de 2012 | 03h09

Hoje à noite, na abertura do 16.º FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul), o diretor Nelson Pereira dos Santos exibe o seu esperado segundo filme sobre Antonio Carlos Jobim, A Luz do Tom, segunda parte de uma trilogia prevista. O primeiro, A Música de Tom Jobim, fez sucesso (para um documentário, com 73 mil espectadores) ao lembrar a trajetória do maestro apenas através de suas canções, sem qualquer entrevista, diálogo ou análise de sua obra. Um filme de encher os olhos, e os ouvidos.

Esta segunda parte do tríptico promete ser diferente. Baseada no livro Antonio Carlos Jobim: Um Homem Iluminado, de Helena Jobim, irmã do compositor, fala da relação de Tom com as mulheres. Ou, pelo menos, com três delas, que tiveram importância fundamental em sua vida - a própria Helena e as duas esposas, Thereza e Ana. Há motivo concreto para o filme estrear em Santa Catarina - a entrevista com Helena foi gravada em Florianópolis.

Além dessa estreia nacional, o FAM também promove uma retrospectiva da obra de Nelson Pereira dos Santos, com alguns dos seus mais importantes filmes, como Vidas Secas e Memórias do Cárcere. O primeiro é um dos mais importantes trabalhos da fase áurea do Cinema Novo, uma versão muito bem-sucedida de Graciliano Ramos. O segundo foi o "filme da abertura política", adaptando a obra homônima em que Graciliano narra sua passagem pela prisão durante o Estado Novo, de Getúlio Vargas.

A mostra homenagem lembra ainda a fase experimental de Nelson com Asyllo Muito Louco, sua versão, digamos, tropicalista, para a novela O Alienista, de Machado de Assis. E seu diálogo com a música sertaneja comparece com Estrada da Vida, que põe em foco a dupla Milionário e Zé Rico. Aos 83 anos, membro da Academia Brasileira de Letras, Nelson é um ícone do cinema brasileiro, patrono do Cinema Novo e dono de uma obra expressiva e multifacetada.

Essa, a parte histórica do FAM, com a justa homenagem a diretor tão fundamental. Na vertente contemporânea, o festival traz uma série de produções do Mercosul, divididas em quatro mostras competitivas: Mostra de Curtas Mercosul, uma mostra infantojuvenil, outra catarinense, exclusiva dos filmes do Estado, e o Doc FAM, com seis documentários, entre eles o argentino El Polonio, de Daiana Rosenfeld, único representante estrangeiro nessa mostra. No mesmo segmento, Os Últimos Cangaceiros, de Wolney Oliveira, e Vai-Vai: 80 Anos nas Ruas, de Fernando Capuano.

Na parte não competitiva, estarão filmes como A Febre do Rato, de Claudio Assis, ainda inédito no circuito comercial, mas já veterano de outros festivais. Além dele (e de A Luz do Tom, também parte deste segmento), há os dois argentinos Las Malas Intenciones, de Rosario Garcia Montero, e El Ultimo Elvis, de Armando Bo. A mostra de curtas-metragens traz 20 filmes, entre documentários e ficções, de vários países do continente.

Na série de debates, estará presente o presidente da Ancine, Manoel Rangel, que discutirá os acordos bilaterais de produção entre Brasil e Argentina e Brasil e Uruguai. Além disso, está na pauta a polêmica Lei 12.485/2011, que impõe cotas de conteúdo nacional para as TVs a cabo.

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