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A Lua

A ideia de que a Lua só existe como complemento de uma paisagem romântica - ou seja, não existe para nada aproveitável - é falsa

Luis Fernando Verissimo, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 21h52

“Todos eles estão errados, a Lua é dos namorados.” Lembra da música? Não sei se seu lançamento coincidiu com a chegada dos americanos ao nosso satélite em 1969, mas sua mensagem era clara: a Lua não é de nenhuma grande potência, a Lua é de quem sabe aproveitá-la, a Lua é um adereço do amor. Deixem-na em paz, americanos. Mas nós também nos enganamos com a Lua. A ideia de que ela só existe como complemento de uma paisagem romântica - ou seja, não existe para nada aproveitável - é falsa. 

A Terra é o único planeta no sistema solar com um satélite do tamanho da nossa Lua, o que faz dela menos um satélite do que um planeta companheiro. Os dois satélites de Marte têm meros dez quilômetros de diâmetro cada um. A Lua tem quase um quarto do diâmetro da Terra. Esta relação é importante porque sem a influência estabilizadora da Lua a Terra andaria pelo espaço como um bêbado, com consequências inimagináveis no nosso clima, sem falar no nosso equilíbrio. É a força gravitacional da Lua que faz a Terra girar na velocidade, no ângulo e com a sobriedade que garantem sua estabilidade e a existência de vida na sua superfície.

Agora, a má notícia. Sinto muito, mas a Lua está se afastando de nós, uma polegada e meia por ano, todos os anos. Daqui a dois bilhões de anos, ela estará tão longe que não poderá mais influenciar a vida na Terra. Você pode se consolar imaginando que serão descendentes seus os namorados que em dois bilhões de anos estarão olhando para o céu e se perguntando que fim levou a tal de Lua que tanto cantavam os poetas.

*

Cientistas fizeram os cálculos e concluíram que a vida na Terra seria impossível se o nosso planeta estivesse 5% mais perto ou 15% mais longe do Sol. Mais perto e a Terra seria uma queimada permanente em que nada sobreviveria, mais longe e tudo congelaria. A conclusão é que somos todos filhos fortuitos de uma eventualidade, o fato de habitarmos um planeta com todas as condições para nos alimentar e sustentar, se não fizermos a burrice de dilapidá-las. O que dá razão a quem especula que em todo o Universo só este planetinha tem vida, mas também dá razão ao físico e matemático inglês Freeman Dyson, que disse: “Quanto mais eu examino o Universo e estudo os detalhes da sua arquitetura, mais evidência eu encontro que o Universo, em algum sentido, deve ter sabido que nós viríamos”.

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