A leveza do mundo em Artur Pereira

A leveza do mundo em Artur Pereira

"É bicho, uai!", dizia o escultor Artur Pereira (1920-2003) quando lhe perguntavam sobre o que representavam suas peças em madeira. Mas uma onça, uma ave, um cão, um tatu - o importante não é nomear a figura, defendia, a seu jeito, o artista do pequeno vilarejo de Cachoeira do Brumado (MG). A história do "bicho, uai" está contada pelo crítico Rodrigo Naves no catálogo da mostra dedicada ao artista, a ser inaugurada hoje, às 19 h, para convidados e amanhã para o público no Instituto Moreira Salles (IMS). A simplificação/sofisticação das obras do escultor "aponta antes para uma natureza unitária e emotiva, anterior às classificações que as necessidades humanas nela introduziram", continua o crítico, relacionando a arte do mineiro à do moderno romeno Constantin Brancusi. Com a exposição, se faz a oportunidade de ver um conjunto reunido de sua arte.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Uma das classificações usadas é a de nomear Artur Pereira apenas como criador da vertente da arte popular. "É artista, uai", enfim, pode-se simplesmente dizer - tanto que ele, não à toa, era um dos três criadores preferidos do grande mestre do corte e dobra brasileiro, o escultor mineiro Amilcar de Castro. Artur Pereira desde a década de 1970 é reconhecido e colecionado, mas, como diz o curador da mostra do artista no Instituto Moreira Salles, Ricardo Homem, só agora se organiza a primeira retrospectiva de sua obra. "Após sua morte, o trabalho de Artur Pereira praticamente não pôde mais ser visto em lugares públicos. Permaneceu restrito a um círculo de colecionadores privados que mantém suas peças com zelo e encanto comoventes", define o curador - mas a obra de Pereira já esteve em mostras coletivas de peso.

Cedro. A exposição, já apresentada pelo IMS no Rio e em Poços de Caldas, reúne 17 esculturas de Pereira. Apreciador sobretudo do cedro, madeira que tinha à disposição, o artista, que antes de se dedicar à escultura trabalhou como lavrador, carvoeiro, pedreiro e carpinteiro, realizou, até 1968, peças de figuras únicas. Até começar a criar obras pelas quais um estilo mais próprio ainda se consolida, a criação de esculturas cilíndricas vazadas, curiosamente, cavadas e concretizadas em monoblocos de madeira. São suas colunas, algumas, suas "galhadas" repletas de animais. Peças de todos os períodos, a "leveza do mundo" criada pelo artista, figuram na mostra.

ARTUR PEREIRA

Instituto Moreira Salles. Rua Piauí, 844, telefone 3825-2560. 13 h/19 h (sáb. e dom. até 18 h; fecha 2ª). Grátis. Até 30/5

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