A jornada moral de Walter White

Começa hoje nos EUA a reta final de 'Breaking Bad', que examina a volátil relação entre o poder, o certo e o errado

ROBERTO NASCIMENTO , O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2013 | 10h57

Uma série de TV que se dá o luxo de dividir a última temporada em dois anos e, ainda assim, inspira calafrios e palmas suadas nos dias que antecedem sua volta final já está garantida no panteão de clássicos televisivos. Neste domingo, na reestreia norte-americana de Breaking Bad, quando o professor de química transformado em rei do narcotráfico, Walter White, interpretado por Bryan Cranston, voltar a dominar as resenhas e discussões, ela estará apenas começando uma duradoura volta olímpica pelo zeitgeist pop.

O impacto cultural e o respeito crítico que a série acumulou - mais os Prêmios Emmy - em suas afiadas e polêmicas temporadas é imenso. Tudo calculado e produzido com maestria por Vince Gilligan e executado com ainda mais categoria por sua trupe. A série - exibida pelo AXN e o Netflix - não estará disponível imediatamente no Brasil, apenas através dos "jeitinhos" virtuais que a transformaram em fenômeno mundial.

O que se espera é mais um passo em direção ao destino controverso do Sr. White, um dos personagens mais amados e contestados dos últimos anos, criado para ser uma evolução do professor pacato do filme Adeus Mr. Chips ao megalomaníaco traficante de Scarface. É uma trajetória polêmica.

Quando o conhecemos, Walter White era um fracassado gênio da química, satisfeito com o trabalho de professor de colegial, que descobre ter câncer e, sem dinheiro, resolve usar seu talento para produzir metanfetamina de alto nível e deixar um pé-de-meia para sua família. Aos poucos, vai se transformando em Heisenberg, o melhor "cozinheiro" da droga na região e alguém impiedoso e distante do desesperado doente do começo da série. Onde o vimos pela última vez, Walter é obrigado a tomar decisões escabrosas para preservar suas conquistas.

O instinto de sobrevivência e proteção familiar que a doença desperta no personagem (tão bem expostos pelas situações criadas por Gilligan) são reações viscerais à situação que Breaking Bad leva ao limite, levantando o questionamento de até onde algo se justifica. Os mais fanáticos por Walter (e o repórter se inclui no clube) diriam que até o final. Outros já tomariam as dores de sua mulher, Skyler, e de seu filho, Walter Jr. Independentemente disso, todos estarão ligados nos oito capítulos que encerram esta jornada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.