A jornada em documentário

BRASÍLIA

, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

A maratona do show Língua Mãe acabou, mas a fase "cinema" do projeto está a todo vapor. O documentário sobre a turnê de Naná pelos três países deve ficar pronto em meados do ano. "O DVD também. E será lançado comercialmente e distribuído para as escolas públicas brasileiras", contou o produtor executivo Alexandre Nogueira.

Mais que um diário de filmagens, o documentário, dirigido por Fernando Weller, revela como Naná e equipe selecionaram e ensinaram as crianças a fazer música e cantar cantigas que estão desaparecendo. "Esta consciência é o que quero despertar nas crianças. A idade em que estão (de 7 a 10 anos) é ideal para se aprender música, disciplina, a se comunicar."

Filhote do ABC Musical, o Língua Mãe traz a novidade de aplicar a mesma lógica da educação por meio da música não só para crianças brasileiras. "Sempre foi uma ideia do Naná poder estender este projeto a outros países de língua portuguesa. Em uma data tão simbólica como os 50 anos de Brasília é algo representativo sobre a própria identidade brasileira poder ter no palco crianças portuguesas e africanas. São nossas raízes", comenta Marinho Andrade, diretor geral do projeto.

Para poder descobrir, ensinar e preparar as crianças selecionadas, Naná, produtores e cineastas iniciaram uma maratona em 23 de fevereiro. A viagem começou por Portugal, passando pelas cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Em seguida, aportaram em Luanda, em Angola. "Foi mais difícil do que pensei. A estrutura em Angola ainda é complicada. Cuidar de todas as crianças, preparar documentação e, ao mesmo tempo filmar não foi fácil", conta. Viagens encerradas, foi a vez de Brasília. Crianças da escola Classe 62 da Ceilândia foram as escolhidas para aprender a entender e a fazer música com o próprio corpo, a cantar canções do folclore brasileiro, a trabalhar em grupo...

A ideia central é resgatar a memória musical em comum nos três continentes. "A música é o hoje, o agora, não tem fronteiras. E neste projeto pudemos integrar e socializar crianças que falam a mesma língua, mas nem sempre sabem quanto a cultura delas está interligada. Este diálogo levantado foi profundo e prolífico", completou Naná. / F.G.

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