Fabio Vieira
Fabio Vieira

'A integração periferia-centro tem que ser aprofundada', diz nova secretária de Cultura de São Paulo

Aline Torres diz, em sua primeira entrevista, que a cultura também tem que ser instrumento de inclusão e geração de emprego

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2021 | 11h04

A nova secretária municipal de Cultura de São Paulo, Aline Torres, pretende priorizar as regiões mais necessitadas da cidade. “A questão não é o que não foi feito e, sim, o que vamos potencializar. Vamos ampliar ainda mais as ações na periferia de São Paulo para que as iniciativas culturais se espalhem por toda a cidade”, disse Aline Torres ao Estadão, por escrito, em sua curta, mas primeira, entrevista após ter sido anunciada no cargo. 

Sobre seus planos, a narrativa é clara. “A integração periferia-centro, que já vinha acontecendo nos últimos anos, tem que ser aprofundada, tanto na lógica da circulação de oportunidades quanto no protagonismo periférico na pauta da Secretaria da Cultura.”

Aline Torres promete construir e fortalecer os equipamentos das regiões mais distantes do centro, ampliar a rede de cinemas da Spcine, estimular as iniciativas culturais pela cidade e fortalecer o Promac (Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais) para trabalhos vindos e realizados na periferia. 

“Além do papel democrático, libertário, questionador e transformador da cultura, ela também tem que ser instrumento de inclusão e de geração de emprego e renda na nossa cidade”, afirmou. “Os recursos orçamentários estão garantidos, no mínimo, nos mesmos patamares que já são praticados. Nosso objetivo é sempre lutar por mais recursos e integração com os investimentos privados. A cultura e a economia criativa são peças importantes do plano de retomada econômica da cidade”, afirma.

Aos 35 anos, Aline chegou ao cargo no momento em que muitos no meio cultural e político esperavam que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) daria uma guinada conservadora ou entregaria a pasta a algum aliado sem experiência na área após a saída de Alê Youssef, na quarta-feira, 25. Amigo de Bruno Covas (PSDB), que morreu em maio em decorrência de um câncer, Youssef, que começou a militância no PT, era considerado nos bastidores da administração municipal um secretário com bom trânsito no campo da “esquerda”. 

Mas, apesar de ter um perfil mais conservador que Covas, de quem foi vice, Nunes não pretendia demiti-lo. Com a escolha de Aline, relações-públicas que também é pesquisadora de questões raciais e atuante em coletivos de juventude negra, o prefeito espera consolidar sua estratégia de priorizar as regiões mais pobres da cidade. 

Apesar de filiada ao MDB, Aline não é considerada uma indicação da cota do partido, mas uma escolha pessoal do prefeito. Quando Alê Youssef decidiu entregar o cargo, os auxiliares de Ricardo Nunes passaram a discutir com ele a escolha de uma mulher, e o primeiro nome lembrado foi o da ex-prefeita Marta Suplicy. Mas ela preferiu ficar no cargo de secretária de Relações Internacionais. 

Integrante dos grupos de renovação política Raps e RenovaBR, Aline Torres começou sua militância na periferia e tornou-se um quadro da juventude do PSDB. Ela deixou o partido e migrou para o MDB porque perdeu espaço em disputas internas no diretório, mas continuou próxima dos tucanos, que certamente terão espaço na sua gestão. Sobre política, porém, ela prefere ainda não falar. 

Ela é pós-graduada em gestão de projetos culturais pela USP e já soma dez anos de experiência na área de gestão cultural – chegou a ter uma passagem pela Secretaria Estadual de Cultura, onde avaliou projetos inscritos no Proac.

A prefeitura paulistana afirma ter liberado para a Cultura, neste ano, verbas que somam R$ 608,2 milhões, valor que pode ser aumentado. E, em 2020, foram aplicados R$ 651,9 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.