A íntegra da obra de Itamar no palco

Zélia Duncan a gente sabe que é admiradora fervorosa de Itamar Assumpção (1949-2003). Naná Vasconcellos fez par significativo com ele, Arrigo Barnabé, Alzira e Tetê Espíndola, bem como a Banda Isca de Polícia, estão por dentro de sua história. Denise e Anelis (irmã e filha), idem. Mas o que Lenine, Chico César, Porcas Borboletas, Karina Buhr, Elza Soares, Jards Macalé, Zezé Motta, Mariella Santiago e Arnaldo Antunes têm a ver com a obra e o estilo do compositor paulista? Esse pessoal todo vai estar aí "pra provar pra quem quiser ver e comprovar" na série de shows de lançamento do projeto Caixa Preta, a partir de hoje no Sesc Pompeia.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2010 | 00h00

A caixa, que reúne todos os 12 álbuns do compositor (leia abaixo), veio para dar outra dimensão à sua obra peculiar. Agora, com os shows, a ideia é ampliar o alcance, fisgando um público além daquele que o cultua desde Beleléu. "A gente já tem visto um público novo interessado no Itamar", diz o baixista Paulo Lepetit, da Banda Isca de Polícia, que toca hoje. "Esses anos nos shows da Isca vai uma molecada, que ouviu falar dele, mas nem chegou a vê-lo. Aí vêm conversar com a gente e perguntar que som novo é esse? Pra você ver como era a tal da vanguarda mesmo. Continua despertando surpresa nas pessoas."

Nessa conquista, os dois discos inéditos da caixa, Pretobrás II - Maldito Vírgula (produzido por Beto Villares) e Pretobrás III - Devia Ser Proibido (com produção de Lepetit), já são um avanço representativo, com uma potência de som que os outros álbuns de Itamar não têm. No que foi produzido por Villares, há uma profusão de novos talentos, "atualizando" a obra do compositor, sem deturpá-la. Igualmente ótimo, o outro ficou a cargo da Isca de Polícia, que sabe tudo de seu ofício, e conta com o aval de Ney Matogrosso e Zélia Duncan.

Todos os álbuns de Itamar serão reinterpretados na íntegra na série de shows. Hoje a lendária banda que o acompanhou durante décadas vai tocar o antológico disco de estreia, Beleléu Leléu Eu (1980). Lenine participa do show cantando dois clássicos: Nego Dito e Fico Louco. "Uma parte desse repertório a gente já toca, mas outras nunca fizemos ao vivo. Itamar sempre mudava muita coisa de um show para outro, então essas canções tiveram vários arranjos", conta Lepetit. "A gente está sempre mudando, procurando dar vida nova a essas músicas."

Na sequência, a banda mineira Porcas Borboletas apresenta uma nova versão para Às Próprias Custas S/A (1982), com participação do carioca BNegão. Amanhã é a vez da filha de Itamar, Anelis Assumpção - que assumiu a curadoria do projeto, realizando uma ideia do próprio pai -, comandar a banda que toca Sampa Midnight (1983), com participação de Serena Assumpção e Arrigo Barnabé. Expoente da nova geração de Pernambuco, Karina Buhr encara Intercontinental (1988), com a presença de Denise Assunção e Elke Maravilha. A celebração continua nos próximos fins de semana até o dia 30.

CAIXA PRETA

Choperia do Sesc

Pompeia. R. Clélia, 93, 3871-7700. Hoje (Banda Isca de Polícia + Lenine) e amanhã

(Porcas Borboletas + BNegão), 21h30. R$ 7, R$ 14 e R$ 28

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