A inoxidável dama de ferro

Um punhado de flyers bastaria para o Iron Maiden lotar um estádio. Isso porque, mesmo sem muita atenção do mainstream, a banda inspira um compromisso quase religioso em seus fãs, que se renovam a cada geração e, de dois em dois anos, transformam arenas brasileiras em caldeirões ávidos para ouvir tanto os clássicos quanto as recentes.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2011 | 00h00

O show de anteontem não foi exceção: levou 50 mil ao Morumbi para presenciar a turnê (que tem outras cinco datas no País) de The Final Frontier, disco de 2010 que chegou ao topo das paradas sem aval da crítica ou campanha de marketing. Satellite 15... The Final Frontier foi a primeira. A canção não se iguala às antigas, mas mesmo assim tinha sua letra na boca do povo. Como a maioria das novas que foram tocadas (Coming Home e El Dorado) Satellite parece uma tentativa de escrever uma canção à la Iron Maiden, feita por uma banda de metaleiros competentes.

A criatividade de riffs, os arranjos que conseguiam dar variedade a um estilo que cai facilmente na mesmice, os solos alucinantes. Tudo isso parece não vir ao Iron com tanta facilidade quanto antigamente. Com a bateria arrastada de Nicko McBrian em algumas canções e a média etária acima dos 50, a banda pode até dar a entender que a idade pesa.

Redondo engano. Se o Iron do estúdio não é mais o mesmo, o ao vivo, quando cobre o repertório antigo, ainda ferve com a energia que permeou a brilhante discografia dos anos 80. Ficou nítido com 2 minutes to Midnight e The Trooper, uma das obras-primas do baixo galopante de Steve Harris. Depois de The Evil That Men Do, o Iron já havia ganhado a noite. Os agudos e vibratos operísticos de Bruce Dickinson cortavam com nitidez pela multidão. Os guitarristas virtuosos Adrian Smith, Janick Gers e Dave Murray fritavam seus instrumentos com a glória de verdadeiros ases do metal. Além da música, Dickinson deu seu parecer sobre eventos que tem dominado o noticiário internacional. Disse que todos os fãs, da Líbia ao Japão, são uma grande família. Poucas bandas parecem compreender isso tão bem quanto o Iron Maiden.

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