A indústria de 'cisnes negros'

Leia trecho de um capítulo no qual o autor analisa o funcionamento das editoras comerciais

23 de março de 2013 | 00h01

Tendo em vista que a área de publicações comerciais é, até certo ponto, uma "indústria de cisnes negros", onde descobertas fortuitas e inesperadas exercem um papel ineliminável, e como para muitos livros - se não a maioria - ninguém realmente sabe quão bem eles se sairão, toda editora comercial precisa estar preparada para arriscar com alguns títulos, em relação aos quais não há qualquer garantia de sucesso. Todo publisher experiente sabe que best-sellers podem surgir de onde menos se espera. É por isso que a história - recontada pelo editor de uma grande empresa - dos consultores administrativos externos que são convidados a orientar executivos de alto escalão sobre como melhorar as vendas e a produtividade de uma editora após uma fusão bem conhecida entre as editoras comerciais.

Milhões de dólares foram gastos, horas e horas foram perdidas em análise, organização e reorganização. E, finalmente, um relatório desse tamanho e dessa grossura, protegido por uma capa, despenca na escrivaninha do CEO. E, de uma maneira ou de outra, nos quatro primeiros itens, o que está anunciado é que os consultores administrativos envolvidos nesse estudo finalmente resolveram o enigma da área editorial. Eles o resolveram e aqui está. Vocês nos deram 5 milhões de dólares, eis a resposta: só publiquem best-sellers.

A possibilidade ineliminável das descobertas fortuitas e inesperadas de publicações comerciais torna risível a solução apresentada pelos consultores administrativos, mas a verdade igualmente inescapável é que grande proporção dos livros publicados por editoras comerciais - tanto as grandes corporações quanto as independentes, de pequeno ou médio porte - acaba tendo vendas modestas. (...)

Embora reconheçam que precisam sempre levar em conta a possibilidade do cisne negro, a maioria das grandes editoras comerciais tem reagido à dura realidade do mercado tentando reduzir o número de títulos que publicam. Isso permite que os representantes de vendas concentrem seus esforços em um número limitado de títulos e reduz ou limita o número de títulos que serão relegados à lista de não prioridade. Permite também que o orçamento de marketing seja dividido entre um número menor de títulos e o pessoal de marketing e publicidade concentre suas energias. (...) Publicar menos livros e vender uma quantidade maior dos livros publicados: esse é o mantra de todas as grandes editoras, e de muitas editoras pequenas e de médio porte também.

(DO CAPÍTULO 5: LIVROS IMPORTANTES - O ENIGMA DO CRESCIMENTO)

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