A incrível recriação do sr. Raposo como live action

Crítica: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2012 | 03h11

Wes Anderson não é um autor 'fácil'. Seu humor e seus personagens são particulares, como o estilo visual. Em Cannes, em maio, na abertura do festival, Moonrise Kingdom decepcionou ligeiramente. O que um filmes desses fazia no maior evento de cinema do mundo?

Apenas quatro meses depois, o olhar do crítico mudou. O filme é melhor do que parecia. Conta a improvável história de amor de um escoteiro órfão e de uma garota, ambos com 12 anos. Sentindo-se incompreendidos, resolvem fugir. São perseguidos pela família, o xerife e a assistente social que se encarrega do caso. E tudo culmina numa grande tempestade que assolou os EUA em 1965.

Filho do meio, Anderson conta na entrevista que sempre se sentiu negligenciado pelos pais. No seu imaginário infantil, eles preferiam os dois irmãos, o mais velho e o mais novo. O sentimento de rejeição durou até a adolescência, quando ele descobriu o teatro e o cinema. Queria ser ator. Achava que tinha talento. Ninguém concordava com ele. A mãe um dia sugeriu, como quem não quer nada - por que não tentava a carreira atrás das câmeras? Funcionou.

"Família é uma coisa de que entendo", diz o diretor. Para prová-lo, ele conta a história não de uma, mas de duas famílias disfuncionais, a do menino e da garota. De repente, é toda a sociedade que é disfuncional. Mas há esperança e o grande toque é que Anderson faz sua live action repetindo o estilo, até o de interpretação, de O Incrível Sr. Raposo. "Pouca gente nota, mas é isso", ele concorda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.