A imagem como objeto de reflexão

Este ano, a fotografia ganhou mais espaço em discussões e publicações

Simonetta Persichetti, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2010 | 00h00

Sem dúvida, 2010 foi um ano especial para a fotografia, arte que no País já é tema central de pelo menos 12 festivais. Isso ocorreu não apenas por causa do crescente número de exposições e livros publicados, mas ainda pela cada vez maior possibilidade de pensar sobre essa atividade. Deixamos um pouco de lado curadorias mirabolantes, nas quais a cenografia de alguma forma encobria produções fracas - se bem que a grande moda deste ano foram as paredes azuis -, que insistiam em se impor nos museus e galerias. Na verdade, foram abertos mais espaços para discussões, além de grande variedade de semanas e simpósios para discorrer sobre o fazer fotográfico.

No âmbito da reflexão, o Paraty em Foco, realizado em setembro na cidade fluminense, se estabelece como fonte de discussão pelo sexto ano consecutivo. Assim como foi importante, em outubro, a segunda edição do Fórum Latino-Americano de Fotografia, no Itaú Cultural. Uma maneira de nos aproximarmos da imagem criada pelos nossos vizinhos de continente. Para ajudar a avaliar a produção contemporânea, em setembro a 4.ª SP-Arte/Foto, além de apresentar 500 fotografias, 170 artistas e 18 galerias, organizou um curso para ajudar a compreender o objeto fotográfico, tema de edição especial da revista Arte!Brasileiros.

Em relação às exposições, o ano começou bem com uma magnífica mostra na Galeria de Arte do Sesi-SP - de 2 de março a 4 de julho - com cerca de 200 registros da inglesa Maureen Bisilliat, cujo acervo pertence hoje ao IMS (Instituto Moreira Salles). Aliás, o IMS foi responsável pelas melhores exposições deste ano, como a do argentino Horacio Coppola e a da alemã/brasileira Hildegard Rosenthal sobre São Paulo e Buenos Aires das décadas de 30 e 40, realizada em março em parceria com o Museu Lasar Segall.

Desde o ano passado, o IMS tem expandido suas fronteiras, trazendo também exposições internacionais como a do fotógrafo russo Aleksandr Rodchenko, atualmente em cartaz no Rio, mas com previsão de vir para a Pinacoteca de São Paulo no início do ano que vem. E por falar em Pinacoteca, a instituição trouxe duas importantes mostras latino-americanas: em setembro a dos Irmãos (Carlos e Miguel) Vargas, A Fotografia de Arequipa, Peru 1912/1930, retratistas peruanos do começo do século 20, e o emocionante trabalho da mexicana Graciela Iturbide. Esta, imperdível, permanece em cartaz até o fim de janeiro. Isso sem falar na presença das imagens na Bienal.

Os livros também foram destaques neste ano. Vários fotógrafos publicaram ensaios e retrospectivas, a Cosac Naify traduziu para o português o diário de Robert Capa, Ligeiramente Fora de Foco, e a Companhia das Letras o excelente Só Garotos, da performer e poeta Patti Smith que narra seus anos de convivência com o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Um ano em que, talvez, se mostrou menos, mas, sem dúvida, pensou-se mais.

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