A hora e a vez da Holanda?

Holanda e Uruguai, dois países pequenos, mas de grande tradição no futebol e na história do Mundial, trilharam caminhos opostos nesta Copa.

MILTON HATOUM, O Estado de S. Paulo

20 Junho 2014 | 02h07

Quem apostaria na vergonhosa derrota da seleção uruguaia para a da Costa Rica? Alguém, a não ser um punhado de holandeses delirantes de otimismo, apostaria na vitória esmagadora da Holanda contra a Espanha, seleção campeã de 2014? Esse jogo já entrou para a história do futebol. Provou que na vida e no esporte o imponderável faz sua parte. No futebol, o campo do imprevisível se amplia, e nisso residem o mistério e o fascínio do esporte mais popular do planeta.

Quem esperava um jogo difícil para a Holanda, viu uma Espanha anêmica, uma Espanha que saiu em vantagem, depois capitulou e desabou como um touro mortalmente ferido. Foi um dos poucos jogos a que assisti com deleite, pensando na Copa de 1970, na fantástica Seleção Brasileira de 70. Em algum momento, torci para que Van Persie parasse de jogar como um deus, ou para que Robben sentisse cãibras ou dor de barriga, mas parece que os caras não se esqueceram da última Copa.

A seleção holandesa é uma das mais injustiçadas nos mundiais. Chegou três vezes à final e foi derrotada. A Laranja Mecânica, que parecia imbatível em 1974, perdeu. Recordo essa final tristíssima para os holandeses. Talvez a seleção de Van Persie e Robben não esteja à altura do Carrossel Holandês, em que jogavam Johnny Rep e o lendário Johan Cruyff. Mas não é preciso comparar grandes jogadores.

Será uma sina da seleção da Holanda ser sempre vice-campeã, como tem sido o Vasco da Gama nos últimos 10 ou 15 anos? Em todo caso, espero que o Brasil se classifique em primeiro lugar para as Quartas de Final. Caso contrário, enfrentará a Holanda e aí vai ser um deus nos acuda.

Depois da atuação apenas razoável no jogo contra o México, não sei se a Seleção Brasileira terá fôlego para vencer a Holanda ou a Alemanha, que já se revelaram as melhores desta primeira etapa da Copa. Mas o imponderável está em jogo. E a eterna teimosia também. Por que diabo o Felipe Scolari não colocou o Hernanes? Intempestivo, antipático, mas inquieto e corajoso, Hernanes poderia ter dado gás e qualidade técnica a um time perplexo e um pouco cansado diante de um México que lutou bravamente por um empate com sabor de vitória. Depois da partida, Felipão declarou que o Brasil melhorou 10% em relação ao jogo de estreia. Essa porcentagem, no mínimo questionável, é modesta demais para o que vem pela frente.

Uma nota final: não sou um internauta compulsivo; aliás, sou um péssimo, quase ausente internauta. Mas li na imprensa a repercussão da frase ofensiva à presidente da República. A baixeza ou o terrorismo verbal não me surpreendeu. Mais surpreendente foi a reação tímida, quase cúmplice, dos candidatos ao cargo de primeiro mandatário da nação.

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