A hora do porquinho

O filme não é infantil, mas o bicho de estimação que fala é a atração de Billi Pig

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2012 | 03h10

Grávida de sete meses, Grazi Massafera sofre os inconvenientes da celebridade. "É a desvantagem de ter uma gravidez pública. Todo mundo sabe que estou de sete meses. Quase não me deixaram embarcar no Rio, para vir a São Paulo." Grazi curte o seu momento Billi Pig. Ela queria acompanhar a pré-estreia da comédia de José Eduardo Belmonte em todas as praças. O filme entra hoje em 200 salas de todo o País. As restrições das viagens aéreas para grávidas estão impedindo que isso ocorra, mas Grazi ia forçar a barra para ir a Curitiba. "Quero ver o filme com minha família."

Ela está linda, deslumbrante, com aquela aura que a maternidade confere às mulheres. O bebê é uma menina. "Ele está muito feliz, vive todo esse processo com a mesma alegria e encantamento que eu." Ele é o pai da criança, Cauã Reymond. Selton Mello, que conhece os dois - e estrela Billi Pig -, só tem elogios. "Grazi e Cauã são bonitos, são globais, podiam levar a vida só nas capas de revistas, mas estão muito empenhados em se superar. Levam a sério a representação, e são bons. Para mim, ela é a revelação do Billi. Espero que as pessoas percebam isso e não fiquem com preconceito, lembrando o BBB."

O diretor José Eduardo Belmonte concorda. "Já conhecia a Grazi através do Cauã, mas confesso que ela me surpreendeu no set. Grazi tem brilho próprio." Ela admite que sofreu. "Para uma principiante, como eu, representar com todas aquelas feras, o Selton, Milton (Gonçalves), Otávio (Muller) e Milhem (Cortaz), era uma audácia. Me sentia uma abusada." Todos ajudaram. "Foram generosos e o método do Zé (o diretor) ajudou bastante. Ele criou umas partidas de pingue-pongue. Jogávamos a três, a quatro. Revezávamos ao redor da mesa e o perdedor tinha sempre que criar umas improvisações."

Billi Pig nasceu da deliberada vontade do diretor de criar uma terceira via para o cinema brasileiro. Como ator e diretor, Selton Mello se antecipou e, com O Palhaço, criou o evento no cinema brasileiro do ano passado - 1,5 milhão de espectadores para um filme autoral, sensível. Num cinema brasileiro polarizado entre as comédias descerebradas, que arrebentam nas bilheterias, e o filme cabeça, que ninguém vê, O Palhaço apontou um outro caminho. Belmonte ingressa na mesma via, e arrisca tudo.

"Sempre quis dialogar com a chanchada, fazer um musical. Billi Pig tem tudo isso, e mais." Desde que passou em janeiro, na Mostra de Tiradentes, integrando a homenagem que o evento prestou a Selton Mello, Billi Pig tem recebido muitas críticas. "Tão falando muito mal, é?", pergunta o diretor. Para ele, o filme não é diferente de seus anteriores - nem do próximo, que finaliza. O Gorila, com Alessandra Negrini, nasceu de uma encomenda. Nem por isso, Belmonte deixou de fazer o filme que queria, como queria. "Não sei se sou autor, mas tenho meu jeito de fazer cinema, de encarar a vida e a arte, e tudo se mistura."

Billi Pig tem um crédito que não é original na carreira do cineasta. "Um filme de José Eduardo Belmonte e equipe." Ele justifica o crédito dizendo que gosta de improvisar com os atores, e num filme com vocação de chanchada, então, deixou todo mundo solto para criar com ele. "Era uma loucura, de repente eu estava improvisando com o Selton, o Milton, que têm uma cancha enorme", resume Grazi. O filme é sobre essa aspirante a atriz (Grazi) que tem um marido trambiqueiro (Selton). Eles se unem a um pastor também trambiqueiro (Milton), prometendo um milagre para pai traficante cuja filha recebeu um tiro e entrou em coma. Imagine tudo isso com números musicais e um porco de brinquedo, cor de rosa (Billi), que fala. O porco é herança de uma ex-namorada do diretor. "Ela era maravilhosa, mas só dormia agarrada no seu ursinho." O filme é um salto sem paraquedas do diretor. Grazi também arrisca. O marido e ela vieram do esporte. "Cauã fazia jiu-jítsu, eu venho do coletivo, o vôlei. O esporte nos ensinou a ousar, a testar os limites." Independentemente do que você achar de Billi Pig, vai ter de concordar que ela é, sim, ótima.

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