A hora de Stella Maris e Miriam Leitão

Depois da polêmica, Jabuti escolhe juvenil e reportagem como livros do ano de ficção e não ficção

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h59

Pela primeira vez na história do Jabuti, duas mulheres ganham, juntas, o prêmio máximo da tradicional premiação literária. Mineiras, Miriam Leitão e Stella Maris Rezende estavam "felizes demais da conta" na noite de segunda, na Sala São Paulo. Além dos troféus, levaram R$ 35 mil. Antes, já tinham ganhado os R$ 3.500 dados aos vencedores das 29 categorias.

Saga Brasileira - A Longa Luta de Um Povo por Sua Moeda (Record) foi escolhido, pelos jurados das etapas anteriores e por representantes do mercado editorial, o livro do ano de não ficção. Foi com ele que a jornalista Miriam Leitão, de 59 anos, estreou na literatura - sonho acalentado desde que tinha 10 anos.

"Estou num transbordamento de alegria. Realizar na idade madura um sonho infantil é um prazer que não dá para narrar. É paralisante", diz a jornalista. Miriam, que já tem contrato para editar A História do Futuro e negocia a publicação de três infantis, disse que as mulheres estão assumindo, naturalmente, o poder em diversas áreas e será cada vez mais comum vê-las dividindo o palco do Jabuti.

Com uma carreira de 33 anos, 40 livros publicados e três indicações para o Jabuti, finalmente chegou a hora de Stella Maris Rezende. E, de quebra, levou logo três estatuetas. Ficou em primeiro e segundo lugar na categoria juvenil por A Mocinha do Mercado Central (Globo) e A Guardiã dos Segredos da Família (SM). "Como diz minha personagem: 'Imagina, é mágica'." Pelo primeiro, selecionado pelo PNBE para estar nas bibliotecas escolares do País, ganhou o título de livro do ano de ficção.

A Câmara Brasileira do Livro anunciou também os nomes dos jurados, incluindo o famoso jurado C, Rodrigo Gurgel, que na categoria romance deu notas muito baixas a alguns concorrentes e altas a outros, definindo sozinho os vencedores. Oscar Nakasato ganhou com seu romance Nihonjin (Benvirá). "Este ano tivemos uma pequena falha na pontuação. Acontece", comentou o curador José Luiz Goldfarb. "Algo ocorrerá para que o peso de um jurado não possa ser tão forte." Um novo regulamento deve ser apresentado no início do ano.

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