Wong Kar-wai já presidiu o júri de Cannes e, quando o fez, Ken Loach ganhou a Palma de Ouro, por Ventos da Liberdade. Kar-wai agora preside o júri de Berlim e ainda apresentou o filme de abertura do festival, The Grandmaster. Como tal, teve direito a duas entrevistas. Aqui, uma síntese do que ele já disse, sobre o próprio filme e a expectativa do que poderá premiar.

08 Fevereiro 2013 | 02h09

Sobre o filme

Estou muito honrado por ter sido convidado para presidir o júri e mostrar aqui meu novo filme. Dieter Kosslick (o diretor artístico da Berlinale) realmente foi generoso comigo. Este é um projeto de sonho, que venho desenvolvendo há muitos anos. Antes mesmo de filmar a primeira cena, já existia um Grandmaster no meu imaginário e o que posso dizer é que o filme pronto não decepcionou minhas expectativas. Gosto de criar climas e a ação também se presta para isso. O que mais me atraiu em The Grandmaster foi a questão central das artes marciais - o vencedor é meramente aquele que fica de pé por último, ou existe alguma outra complexidade que às vezes não captamos? A honra é sempre mais importante que a vitória a qualquer preço.

Sobre a elaboração estética de The Grandmaster.

Acredito na beleza estética, e seria absurdo tentar negar esse fato, considerando-se os filmes que faço. Dou grande valor ao roteiro e o filmo escrupulosamente, mas o filme, para mim, se faz na montagem. Mesmo cenas que eu achava que já tinha prontas, e filmei tal qual, na montagem me ofereceram novas possibilidades. Dizem que gosto de desconstruir e reconstruir meus filmes na montagem. É uma atividade que poderia ser interminável. Ainda bem que existem os produtores, que me impõem um prazo. Por enquanto, estou satisfeito com o filme e meus atores, de Tony (Leung) e Zhang (Ziyi), que treinaram tanto e foram ao seu limite físico. Mas não descarto que amanhã, ou daqui a alguns anos, revendo o filme, eu não vá querer fazer algum experimento. Mas não será o mesmo filme. Há um diálogo que compara o amo ao sonho. O filme ideal também é um sonho que nunca alcançamos.

Sobre o provável vencedor do Urso de Ouro.

Não chego com nenhuma ideia preconcebida do filme que quero premiar. Já conversei com meus colegas jurados e pode parecer banal, mas estamos todos querendo ser surpreendidos e arrebatados. O cinema parece que não tem mais novidade nenhuma, mas então por que, todo ano, algum novo filme sempre abala nossas certezas e vira um acontecimento? Queremos um filme que emocione e nos diga alguma coisa, se não for pedir demais. / L.C.M.

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