A história da magia de Paulo Coelho

Ao abrir o site oficial de Paulo Coelho na Internet, o visitante tem 13 opções de idioma para escolher, além do português: espanhol, inglês, italiano, francês, russo, alemão, farsi (língua do Irã), japonês, polonês, romeno, chinês, checo e árabe. Uma página eletrônica é o bastante para perceber que Paulo Coelho extrapolou os limites da repercussão geralmente atingida por escritores brasileiros no exterior. Nada menos do que 37 milhões de livros com o nome do ex-músico e mago auto-proclamado foram comprados até dezembro último. Traduzidos para 56 idiomas e publicados em 140 países, seus 11 livros mais recentes, a maioria romances de viés místico, fizeram-lhe a carreira de sucesso. Sucesso que só aconteceu, segundo sua própria versão da história, depois que resolveu trilhar o mítico Caminho de Santiago de Compostela, em 1986 na Espanha. Sobre isso, um ano depois, escreveu O Diário de Um Mago. De início, Paulo Coelho amargou vendagens de poeta marginal com Arquivos do Inferno (1982) e Manual Prático do Vampirismo (1985). Este último o mago pediu para retirar das prateleiras, por qualidade insatisfatória, segundo ele próprio disse depois. Depois de O Diário de Um Mago, Paulo Coelho lançou O Alquimista (1987), Brida (1990), As Valkírias (1992), Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (1994), Maktub (coletânea de crônicas de 1994), Frases (coletânea de 1995), O Monte Cinco (1996), O Manual do Guerreiro da Luz (1997), Veronika Decide Morrer (1998), e O Demônio e a Srta. Prym (2000). Apenas tolerado por muitos e desprezado por boa parte da intelectualidade brasileira, ao mesmo tempo que aclamado por um público heterogêneo, o mago é respeitado e admirado em muitos países. O governo da França lhe concedeu o título de Chevalier de L´Ordre National de la Legion d´Honneur em 2000 e os franceses compram seus livros em grandes quantidades. A Graduate School of Business of the University of Chicago recomenda O Alquimista em seu currículo. O papa João Paulo II o recebeu em pleno Vaticano em 1998. O escritor e professor Umberto Eco elogiou Veronika Decide Morrer na revista alemã Focus. Essas são algumas credenciais reunidas pelo escritor para tentar convencer a inteligência nacional, desconfiada de sua temática mística e seu expressivo volume de vendas. Agora ocupante da cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras, em substituição ao economista Roberto Campos, talvez Paulo Coelho seja visto como mais do que um mágico vendedor de livros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.