A história da gravadora Naxos, líder no segmento erudito

JOÃO MARCOS COELHO

JOÃO MARCOS COELHO É JORNALISTA, CRÍTICO MUSICAL, AUTOR DE NO CALOR DA HORA (ALGOL), ENTRE OUTROS LIVROS, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h11

Nenhum dos cinco grandes grupos que dominavam a indústria do disco clássico em 1987 deu bola quando o alemão Klaus Heymann idealizou a Naxos, gravadora que hoje controla este mercado. Quando se deram conta, já era tarde. Neste The Story of Naxos, Nicolas Soames conta em detalhes essa fabulosa empreitada. Em 25 anos, Heymann construiu o mais poderoso império de negócios de música clássica no mundo (gravadora, distribuição mundial de discos físicos e digitais, vídeo, edição de livros e audiolivros). Alterou um paradigma tido como imutável.

Tudo começou em 1987, quando o CD decolava. A Naxos pagava cachês fixos e vendia os CDs por um terço do preço então praticado. Deslocou o foco do grande intérprete para a música, em geral premières mundiais. Para nós, foi bom. Recolocou Villa-Lobos em circulação, com gravações de sua música orquestral e integrais de piano de Sonia Rubinsky e das Bachianas Brasileiras com a Sinfônica de Nashville. Abraçou as mídias digitais. Massacrou DG, Decca, EMI e Warner. Democratizou o streaming, que dá direito à audição (a assinatura anual da Rádio Naxos com 70.000 CDs custa $ 20). A pá de cal foi a distribuição planetária eficiente, até em supermercados.

Pôs de joelhos uma indústria hipócrita, que colhia lucros indecentes e estimulava a pirataria. Paga-se hoje o preço justo para ouvir música, sem o fetiche da posse. Suas previsões para daqui a cinco anos: 50% do mercado de assinaturas de streaming; 25% de downloads; e 25% de suportes físicos.

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