A guerra eletrônica dos dicionários

A guerra entre os dicionários esquentou no início do mês, quando foi lançada a primeira edição (10 mil cópias) da versão em CD-ROM do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Objetiva/Microsoft Office, R$ 90). Até então, o mercado era dominado pelo dicionário eletrônico Novo Aurélio Século XXI (Nova Fronteira/Lexikon Informática, R$ 85) lançado há cerca de dez anos. Com isso, repete-se a disputa que já acontece nas versões em papel desde agosto, quando as livrarias receberam a primeira edição do trabalho comandado pelo filólogo Antônio Houaiss.Como os recursos oferecidos são vários, possibilitando rapidez e flexibilidade na consulta, as duas versões eletrônicas não se preocupam tanto em ostentar a função primordial de um dicionário (oferecer sinônimos das palavras), mas destacar as novidades exclusivas. Assim, enquanto o Aurélio oferece o chamado dicionário reverso (combinação de palavras que permite uma pesquisa mais abrangente), o Houaiss chega com uma ferramenta única, que são as marcações inteligentes do programa Windows XP, desenvolvido pela Microsoft. Assim, em um texto digitado nesse programa, algumas palavras surgem tenuamente sublinhadas que, se tocadas pelo cursor, abrem uma janela em que aparecem recursos como sinônimos e conjugação de verbos. A vantagem é que não há a necessidade de se abrir o programa do dicionário.Os números superlativos também são exibidos com destaque - o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa oferece 228.500 verbetes (o mesmo número da versão em papel), 380 mil definições e 15 mil verbos da base de dados. Já o Novo Aurélio Século XXI ostenta a marca de 435 mil para o total de verbetes, definições e locuções, uma forma discreta de não mostrar ostensivamente sua quantidade inferior de verbetes (160 mil) em relação ao principal concorrente. Dispõe ainda de 110 mil etimologias (origem e formação das palavras) e 54 mil exemplos e citações de mais de 1.400 autores.Conciso x filosófico - Os recursos tecnológicos, porém, não são poderosos o suficiente para disfarçar as diferenças que marcam a origem de cada um dos autores. Afinal, enquanto Antônio Houaiss era um filólogo (especialista em filologia, o estudo da língua em toda a sua amplitude), Aurélio Buarque de Holanda era um lexicógrafo (autor de dicionários, dicionarista). A partir dessas formações distintas, é possível identificar, ao longo do texto, o peso da influência acadêmica: Aurélio é mais conciso e objetivo; já o Houaiss, mais prolixo e filosófico.As duas versões eletrônicas procuraram soluções visuais, que encantem o pesquisador. Assim, o Houaiss oferece, na abertura, três modos de visualização na tela: o interativo, com o conteúdo total do verbete; o tradicional, com o mesmo formato da versão impressa; e o expresso, para consultas rápidas. O Aurélio, por sua vez, permite personalizar a consulta, configurando integralmente o dicionário, desde as cores aos tipos de letra. É possível também criar notas personalizadas sobre as consultas realizadas e acrescentá-las ao próprio dicionário.

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