A guerra agora é outra

Silvio de Abreu conta ao 'Estado' como a nova versão de Guerra dos Sexos será afetada pelas mudanças ocorridas no País em 30 anos

Cristina Padiglione , O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h07

Quando chegar outubro, Silvio de Abreu, o escritor que retrata São Paulo à maior plateia que a cidade já teve, volta a dominar a faixa das 19 horas da TV Globo com a novela que mudou o histórico do horário. Faz quase dez anos que a vontade de refazer Guerra dos Sexos permeia os planos do dramaturgo, e serão quase 30 anos passados da primeira versão, escrita por ele, com direção de Guel Arraes e do mesmo Jorginho Fernando, agora responsável pelo remake.

"Foi a primeira vez que se fez uma novela em que a comédia entrava em primeiro plano", conta o autor ao Estado, em entrevista realizada em seu apartamento, uma cobertura no bairro dos Jardins, de onde ele alcança vista invejável da cidade que lhe serve de cenário para as crônicas traduzidas em folhetins. "Todas as novelas da 7 tinham a marca do Cassiano (Gabus Mendes): eram histórias românticas, com personagens suaves. Guerra dos Sexos entrou com uma grande comédia pastelão, que era coisa só da linha de shows. Era novidade, daí por que fez muito sucesso, mas não de cara, é bom que se diga. No início, as pessoas estranharam, houve esse ruído."

Agora, tendo como base o script de 1983, Silvio de Abreu refaz diálogos e situações, mas a história dos primos Charlô/Charlotte e Bimbo/Otávio lá está, pronta para ser recontada, como clássico que é.

O fato de o remake ser de um enredo seu reduz a cobrança por comparações com o original?

Ah, mas vão criticar do mesmo jeito, tem muita gente que já viu e vai criticar, inclusive porque eu estou tomando liberdades que eu não tinha lá.

Como o quê?

As figuras da Fernanda (Montenegro) e do Paulo (Autran) estarão na novela. Na história original, morre um tio, Enrico, de quem havia um retrato em cima da lareira. Esse tio deixa para a Fernanda e o Paulo uma herança grande. Agora, as figuras do Paulo e da Fernanda morrem no começo da novela, no primeiro capítulo, e a imagem deles fica em cima da lareira. Essa morte repercute em Twitter, Facebook, uma morte inusitada, não vou dizer como é (risos). Eles agora é que deixam a herança para dois sobrinhos homônimos, que serão a Irene Ravache e o Tony Ramos. Mas a atriz que fez a Olívia, a empregada da casa, será a mesma: Marilu Bueno. Ela vai se lembrar de muitas cenas. E aí a gente vai brincar com flashbacks, usando as cenas de Paulo e Fernanda. Não muitas, mas as que nos parecem mais divertidas.

Você está usando o roteiro de 30 anos atrás como base?

Uso. As ações eu conservo, os diálogos, estou modificando todos, porque mudaram muito. Palavras que a gente usava há 30 anos já não se usam, como "é uma brasa", "sai dessa", coisas assim. E também a Charlô e o Bimbo eram personagens que tinham uma cabeça anos 40. Hoje eles têm cabeça anos 60.

É, e a casa tinha decoração meio retrô, mas conservadora.

E vai ser assim, porque a casa foi herdada, é a mesma. A decoração é meio inglesa, porque eu preciso de uma certa austeridade para poder brincar. Eles têm armas, armaduras, lareira, só que é outro cenário, né? A gente fez a novela lá na (Rua) Lopes Quintas, tudo apertadinho. Agora tem o Projac, tudo é maior.

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