A gravura como base da criação

NOVA YORK

, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

Entre as milhares de obras que criou em sua na longa carreira, Picasso produziu perto de 2.400 gravuras. O Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, tem em sua coleção mais de mil impressões delas e está exibindo cerca de 100 em Picasso: Themes and Variations. Elas mostram como ele desenvolvia sua criatividade e temas em constantes experimentações e relembram o que às vezes fica à sombra do Picasso cubista: nunca abandonou o realismo e era gênio também no desenho.

A gravura fez parte de todo o desenvolvimento artístico dele, começando com pontas secas dos Períodos Rosa e Azul, dos quais a exposição tem um dos exemplos mais importantes, o Refeição Frugal, de 1904 (o Metropolitan possui outra impressão, de 1913). Mesmo sem as cores que caracterizam as pinturas de Picasso naqueles primeiros períodos, as gravuras transmitem o mesmo espírito retratado nelas. E é possível reconhecer nas impressões vários personagens retratados nas telas dele, sobretudo suas mulheres. Mais tarde, enquanto desenvolvia o estilo cubista, Picasso tanto criou em gravuras vários desenhos que depois passou para a tela como fez o cruzamento na mão inversa. Uma de suas grandes séries de imagens abstratas foi feita em 1910 para ilustrar o romance místico Saint Matorel, do poeta francês Max Jacob.

Entre o fim da década de 1920 e começo da de 30, ele transpôs sua capacidade narrativa para as placas e blocos com composições de minotauros, faunos e outros personagens repetidos em cenas diferentes. Dizia que este era seu jeito de "escrever ficção". A história da arte também o inspirava e, nas décadas de 1940 e 50, ele se concentrou em obras específicas de artistas dos séculos 16 ao 19. Ao mesmo tempo que compunha variações em pinturas, desenhos e esculturas, criava gravuras a partir de obras como o Retrato de Uma Jovem que Cranach, o Jovem pintou em 1564 e para o qual ele deu sua versão numa linogravura de 1958. O Almoço na Relva, que Manet pintou em 1863, lhe rendeu 5 gravuras ? além de 27 pinturas, 150 desenhos e 18 maquetes.

No período entre a operação de úlcera, pela qual passou em 1965, até sua morte, aos 91 anos, ele produziu num ritmo intenso. Suas gravuras eram trabalhadas, então, numa oficina preparada para ele pelos irmãos Aldo e Piero Crommelynck em Mougins, no sul da França. Foi lá que, durante sete meses de 1968, ele produziu a espetacular Suíte 347 (intitulada assim por conta do número de impressões que contém), na qual reviu tanto sua vida como sua obra.

A mostra que celebra a coleção do MoMA é acompanhada pela publicação de portfólio com 168 ilustrações. Para completar, o museu produziu um projeto online (MoMA.org/picassoprints) que apresenta os estilos, períodos, temas e técnicas usados pelo artista nessa mídia, ilustrando-o com cerca de 250 reproduções. / T.C.

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