A grandiosidade de Villa-Lobos, para todos

Um Villa-Lobos aos 20 anos, em formação, redescoberto graças ao empenho de um especialista devotado à sua obra. Um compositor de estatura enorme, o maior que o Brasil já teve, revelado em peças monumentais e também no encontro com contemporâneos, como Pixinguinha, Radamés Gnattali e Ernesto Nazareth, e discípulos da estatura de Tom Jobim e Edu Lobo.

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

É o que se propõe oferecer aos cariocas o Festival Villa-Lobos, realizado desde 1961. Nasceu por iniciativa de sua viúva, Arminda (1912 - 1985), que entrou para a história da música como Mindinha, e é mantido até hoje por conta do esforço de um seguidor desde a adolescência, o violonista Turíbio Santos. Com mais de 60 atrações, vai até dia 28, em seis locações da cidade.

Seguidor é mesmo a palavra para descrever Turíbio: ainda com 15 anos, ele conheceu Villa em 1958, um ano antes de sua morte. Foi ouvir uma conferência sobre seu violão, a qual transcreveu cuidadosamente num caderno. Está aí a origem do livro Villa-Lobos e o Violão. Logo se aproximou de Mindinha, que lhe confiaria a tarefa de tocar o Museu Villa-Lobos (e, por consequência, o festival), criado por ela para que a música de Villa sobrevivesse a ele, ou melhor, se eternizasse. Novembro é o mês escolhido por ser o de morte de Villa (os 51 anos se completaram anteontem).

Variadíssima, a programação se ancora tanto na apresentação de obras pouco conhecidas para piano e violino, quanto de grandes clássicos, como a série das Bachianas Brasileiras, passando pelo conjunto dos Cânticos Sertanejos (para flauta, clarinete e orquestra de cordas), que ressurgiu graças ao trabalho de detetive do maestro Roberto Duarte. Foi quem passou seis meses decifrando partituras cheias de rabiscos do mestre. "É claro que é simples comparado com outras obras dele, mas você já vê o compositor ali", ele conta.

À frente do museu há 25 anos, Turíbio se empenha para não fazer da programação algo hermético, só para iniciados - e, assim, consegue atrair até 400 pessoas para recitais sob a vistosa mangueira da área externa do museu, que fica numa casa centenária de Botafogo. "Nós buscamos refletir a personalidade de Villa, de convivência entre o popular e a música de concerto. E, se fossem só obras raras, ficaria árido."

O festival, que tem um braço infantil, exibe ainda filmes e realiza oficinas para músicos. Quase tudo é de graça. Todos os detalhes estão em www.fvl.art.br.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.