A geração que cresceu lendo poetas concretos

Há mais de dois anos a Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro, organiza o projeto Poesia Visual, que abriu caminho para a produção de poetas que incorporam o legado concretista ou trabalham seguindo o modelo do poema-processo, como observa Alberto Saraiva na apresentação do livro Poesia Visual, que acaba de ser lançado pela Oi Futuro e Fase 10 Produções Artísticas. Entre os artistas que participaram do evento estão Lenora da Barros, filha do concretista Geraldo de Barros, Tadeu Jungle, Helena Trindade e Wladimir Dias-Pino, que criou, nos anos 1960, o movimento do poema-processo.

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h22

Como explica Saraiva no prefácio, esse movimento "considera o poema-processo um acontecimento puramente temporal e material, um objeto artístico". Trafegando entre imagem e palavra, ele deve muito às conquistas dos poetas concretos que, nos anos 1950, já haviam criado uma área linguística muito particular, tirando partido da comunicação não verbal ao transformar a poesia numa equação visual de extremo requinte artístico.

O livro traz poetas de uma geração que cresceu lendo poemas dos concretos. Lenora de Barros, até mesmo pela proximidade com seu pai Geraldo, um dos grandes artistas visuais do movimento nos anos 1960, está representada pelo poema impresso em vinil adesivo Issoéossodisso (21010), que brinca com a estrutura silábica e com a imagem de uma língua que, esticada, revela uma insólita estrutura óssea.

Contemporâneo de Décio Pignatari, o poeta Ferreira Gullar, um dos articuladores do movimento neoconcreto, comparece no livro com um poema de 1955, Formigueiro, apresentado na primeira exposição de arte concreta, em 1956 (mas só publicado em 1991). É um poema que emula a construção e desconstrução de linhas pelas formigas num desenho que aproxima a morfologia das letras dos corpos desses insetos.

Entre os outros artistas participantes do projeto estão Renato Rezende, Alberto Pucheu, Xico Chaves (cujo poema Siga-Oi, de 2010, à esquerda, ocupa os degraus de uma escada rolante) e Antonio Cícero (com o poema que inspirou a performance Minos, de 2011, vista à direita). / A.G.F.POESIA

VISUAL

Coleção Arte e Tecnologia da Oi Futuro

Organização: Alberto

SaraivaEditora:

F10/Oi Futuro

(192 págs.)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.