''A ganância é eterna'', diz o cineasta

''A ganância é eterna'', diz o cineasta

O diretor Oliver Stone tem fascínio por Wall Street e seus personagens justamente por seu pai ter sido um deles. Nos anos 30, ele se arruinou numa crise mais grave que a de 2008, retratada no filme, na qual milhares de jovens foram varridos do mercado financeiro com Lehman Brothers. Ao analisar os altos e baixos dos homens de Wall Street, Stone disse em entrevista que "a ganância é eterna. Primeiro você quer um apartamento em Manhattan. Depois, uma casa nos Hamptons e obras de arte. Sempre vai querendo mais e isso o torna louco". O ator Josh Brolin, que interpreta sócio de um banco de investimentos, acrescenta "que os bilionários de Wall Street se acham invencíveis. De repente, acabam sem nada".

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Na opinião de Oliver Stone, tudo é cíclico. "Eu mesmo vi quatro bolhas explodirem no mercado financeiro. A próxima será a bolha do verde (meio ambiente)", diz, dando uma de guru econômico. Ele e os seus atores conversaram com muitos funcionários de Wall Street para se prepararem para o filme. "É impressionante como eles não sabem nada", observa Brolin.

Jake Moore, o personagem de Shia LaBeuf, não é um típico jovem de Wall Street. Nos dias de hoje, os funcionários dos grandes bancos são oriundos de PhDs em universidades como Chicago, Princeton e MIT. Muitas vezes, vêm de áreas como matemática e física. Também existe o grupo dos MBAs. Porém, Stone optou por alguém sem uma formação acadêmica sólida, mais próximo de uma Wall Street dos anos 1980, de seu personagem Bud Fox (Charlie Sheen).

Ao ser perguntado pelo Estado sobre o motivo da escolha, LaBeuf, que se veste e fala como jovens de classe média de Long Island, onde teria crescido no filme, pediu para responder no lugar do diretor. "Ainda tem gente em Wall Street como ele, não são apenas os PhDs." Verdade, mas os símbolos da crise foram justamente os gênios da matemática com modelos de investimento no computador, não os ratos de mercado como os Gordon Gekko dos anos 1980, com informações confidenciais. Esses são cada vez mais raros.

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