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'A Gaiola das Loucas' vira musical com Miguel Falabella

Comédia musical sobre um casal gay reúne Miguel Falabella e Diogo Vilela

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2010 | 06h00

A primeira montagem ocorreu em 1973, em Paris, onde a peça A Gaiola das Loucas, do francês Jean Poiret, fez um tremendo sucesso ao apresentar uma engraçada chanchada sobre as peripécias de um casal de homossexuais para manter uma casa noturna. Dez anos depois, a farsa brilhou na Broadway, com texto adaptado por Harvey Feinstein e libreto musicado por Jerry Hermann. "Mas o tom era outro, pois apresentava um apelo pela sobrevivência e pela alegria no momento que o movimento gay era dizimado pela aids", comenta Miguel Falabella que, ao lado de Diogo Vilela e grande elenco, vive agora uma nova etapa do musical, cuja bem-sucedida versão nacional estreia nesta setxa-feira, no Teatro Bradesco.

"Com a atual visibilidade do mundo gay, o riso já não é o mesmo - agora, a peça conta uma linda história de amor de duas pessoas que decidiram viver juntas o resto da vida", conta Falabella, que vive Georges, proprietário do cabaré A Gaiola das Loucas, um dos orgulhos de St. Tropez e cuja principal vedete é a transformista Zazá (Vilela), a mais famosa da Riviera. ‘Desmontada’, ela se transforma em Albin, com quem Georges mantém uma duradoura relação.

Com eles vive Jean Michel (Davi Guilherme), fruto de uma aventura de Georges quando jovem. Apesar de aceitar tranquilamente o relacionamento dos ‘pais’, o rapaz enfrenta um problema: é apaixonado por Anne (Carla Martelli), cujo pai, Édouard Dindon (Mauricio Moço), é presidente do Partido da Família, Tradição e Moralidade que, como plano de governo durante as eleições, promete varrer os homossexuais da Riviera se for eleito. Assim, para evitar a ameaça ao casamento, Georges, Albin e todos os trabalhadores do cabaré fingem ter uma masculinidade nos gestos, durante a visita dos pais da moça.

"Como não precisamos respeitar integralmente o original, eu fiz, na minha versão, algumas adaptações para aproximar a história do contexto brasileiro", conta Falabella. "Claro que a trama continua ambientada em St. Tropez, mas o clima de cabaré traz algo do teatro de revista também."

Para isso, além do elenco principal, que conta com 9 atores, há 16 vedetes que apresentam números de sapateado. No total, são mais de 40 trocas de cenários e figurinos, compostos por 300 peças de roupa e 100 perucas. Entre as canções, figuram hits como I am What I am, que se tornou sucesso na voz de Gloria Gaynor e foi traduzida como Eu Sou o Que Sou.

A partitura musical, aliás, foi detalhadamente trabalhada. "Tão logo o Miguel me convidou para o papel - a ideia da montagem surgiu durante as gravações do seriado Toma Lá, Dá Cá, que fizemos na Globo -, comecei a estudar as músicas, que exigem muito", conta Diogo Vilela, também atarefado com outra missão singela, porém fundamental: aprender a andar de salto. "Passei um ano nesses estudos e, quando os ensaios começaram, eu já estava com todas as canções decoradas - e andava muito bem com todos os sapatos."

Participar de A Gaiola das Loucas permitiu que Vilela finalmente realizasse um desejo antigo. Afinal, ele quase interpretou o filho do casal gay quando estava no início de carreira. "Eu tinha 17 anos quando aconteceu a primeira montagem brasileira da peça, em 1974, com Jorge Dória e Carvalhinho nos papéis principais", conta. "O diretor João Bethencourt sabia que eu tinha experiência para o papel mas, como não era antecipado, não podia trabalhar à noite."

Movimentos. O encontro com Falabella no palco, o primeiro na carreira de ambos, também foi marcante. "A gente se conhece há muito tempo, mas nunca houve oportunidade", conta Falabella, cuja escalação para o papel de Georges foi natural. "Eu tenho mais esse espírito de entertainment, de conversar com a plateia, como faz Georges", explica. "Já Diogo é um ator muito mais qualificado, perfeito para um personagem Albin, que necessita revelar todas as suas inquietações em gestos como o andar, o movimento das mãos, a posição da cabeça."

De fato, dedicado como raros profissionais brasileiros da cena atual, Vilela busca o humor sem o deboche que provocaria um riso fácil. "Gosto de extrair todas as potencialidades do papel", conta ele, que tem novos planos para musicais (veja no quadro).

Além da Broadway, A Gaiola das Loucas inspirou quatro versões para o cinema, das quais duas se destacam (leia abaixo). "A primeira, de Edouard Molinaro, é a melhor de todas", observa Falabella. "Especialmente por conta do trabalho de Ugo Tognazzi como Georges, que me ajudou a criar meu papel."

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