Estadão
Estadão

'A função do humor é propor o debate', diz Fábio Porchat sobre ameaças

Ao 'Estado', humorista fala sobre vídeo em que critica corrupção na polícia

O Estado de S. Paulo

10 de fevereiro de 2014 | 23h15

Na semana passada, um esquete do Porta dos Fundos, protagonizado pelo humorista Fábio Porchat, mostrava dois policiais sendo humilhados, com direito a tapas na cara, e extorquidos por cidadãos comuns. Em uma semana, o vídeo foi visualizado por mais de 4 milhões de pessoas. Nem todo mundo, porém, parece ter achado graça. No "Blog do Soldado", uma página não oficial de apoio à PM fluminense, o humorista foi ameaçado. 

"Pois bem, esse humoristazinho (sic) achou que pode postar um vídeo e humilhar toda classe policial militar e que isso fosse ficar por isso mesmo? Está muito enganado, Fabio Porchat. Você não sabe o ódio que despertou em todos nós policiais militares, ao postar esse vídeo", afirmou o blog, em um dos comentários postado no último dia 5.

Também nesta segunda, o pai do humorista, o ex-deputado Fábio Porchat, procurou o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, que cobrou em plenário que as autoridades policiais ofereçam segurança ao humorista.

Em depoimento ao Estado, Porchat afirmou que o vídeo tinha como objetivo criticar policiais corruptos e não a corporação como um todo:

"O fato de o blog em que foram feitas as ameaças já ter saído do ar significa, para mim, que essa história acabou, é passado. Tenho certeza de que foi a ação de um indivíduo que já se arrependeu ou se deu conta, talvez alertado por outros, de que estava incitando o crime. E as pessoas reagiram a isso, viram o absurdo, deixaram comentários no blog e nas redes sociais criticando o que ele dizia. O vídeo não surgiu do nada, várias pessoas vieram me dizer que já tinham passado por aquilo. Mas ele é uma crítica ao policial corrupto, àquele que coage, e não à instituição. Tanto que vou fazer um boletim de ocorrência, ou seja, vou à polícia, porque confio na instituição. Meu pai quis me ajudar da maneira dele, tentar por outros caminhos, mostrar que temos força. E isso é importante. O vídeo teve 4 milhões de visualizações em uma semana, e isso demonstra força. Não foi uma piada Ade moleque. Foi um vídeo postado no maior canal de humor do mundo. Fiquei muito feliz com a repercussão, com o fato de que tudo isso gerou um debate. A função do humor é justamente essa, propor o debate.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.