Filipe Cartaxo/Divulgação
Filipe Cartaxo/Divulgação

À frente do trio elétrico

Baiana System traz a São Paulo seus experimentos com a guitarra baiana

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

Como o antídoto que utiliza a substância do próprio veneno a ser combatido, a banda Baiana System faz uma espécie de reversão sonora para injetar sangue novo na música urbana de Salvador, trazendo de volta à frente a guitarra baiana, que se revelou nos primórdios do trio elétrico - quando a música era só instrumental - e que foi massacrada, como outras manifestações, pela indústria da axé music.

Em vez de negar o carnaval, a Baiana System se vale de seus recursos para abrir outras frentes de atuação. Liderada pelo guitarrista Robertinho Barreto (ex-Lampirônicos), a banda faz seu primeiro show em São Paulo hoje, de graça, no Sesc Pompeia, dentro do projeto Prata da Casa, tocando os temas e canções do ótimo CD de estreia, intitulado apenas Baiana System. Nas referências sonoras da banda há frevo elétrico do carnaval baiano, reggae e dub jamaicanos, música de rua, música árabe, ritmos nordestinos, guitarrada paraense.

Quando a apresentação é em lugar propício, Robertinho diz que explora mais o lado festivo da banda. "Em outras situações, como a gente tem esse formato que transita entre o carnaval e coisas mais conceituais, a gente pode explorar mais o dub, mais o lado instrumental, o clima das músicas. Vai depender do feeling da hora." Eles já foram de um extremo ao outro, tocando em trio elétrico no carnaval de Salvador e em evento na China.

Além de sua guitarra baiana, a banda tem Marcelo Seco (baixo), Russo Passapusso (vocais), Chico Corrêa (efeitos, programação e dubs) e Wilton "Batata" Bacelar (percussão). No CD há participações dos baianos Lucas Santtana, Roberto Mendes, Letieres Leite e Gerônimo e do carioca BNegão; significativa citação de Moraes Moreira (Eu Sou o Carnaval); homenagens ao guitarrista paraense Pio Lobato e à banda baiana de rock instrumental Retrofoguetes, em que, numa das várias referências à folia baiana (quando "Salvador vira Bagdá"), imagina o carnaval sideral no futuro.

Juntando as pontas da invenção de Dodô e Osmar pré-trio elétrico com o sound system jamaicano, por coincidência, o Baiana System, embora tenha temas com letras, surge num momento em que o pop instrumental está em alta. "A música instrumental muitas vezes caiu naquele estigma de músico ficar tocando só pra músico. Aquele formato cansativo de certa forma dificultava a comunicação com o público. Quando se tentou uma linguagem mais pop isso fez com que essa música se aproximasse das pessoas." É o que o Baiana System faz muito bem.

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