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A França de Coco Chanel inspira a 27.ª SPFW

Evento batizado de 'Passion-Paixão' faz parte do calendário do Ano da França no Brasil

Eduardo Diório, Jornal da Tarde

15 de junho de 2009 | 16h55

França é moda. Por isso, a 27ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), que ocorrerá entre os dias 17 e 23 de junho, no prédio da Bienal, no Parque do Ibirapuera, homenageia este que é um dos centros de moda mais importantes do Planeta, berço de gigantes como Chanel. Batizado de "Passion-Paixão", o evento (que é somente para convidados) faz parte do calendário oficial do Ano da França no Brasil, e será repleto de atrações com a temática francesa.

 

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Haverá uma exposição no Pavilhão da Bienal sobre os novos estilistas da alta costura de Paris que será aberta ao público. Nesta segunda, 15, a modelo Gisele Bündchen vai ao Shopping Iguatemi para assistir à da pré-estreia do documentário Top Models - Um Conto de Fadas Brasileiro, de Richard Luiz, do qual é uma das entrevistadas.

 

A maior parte deles está relacionada ao tema da temporada que homenageia a moda francesa. "Estamos trabalhando há dois anos nessa programação. Será a primeira vez que a SPFW começa antes dos desfiles, realizando a maior edição de sua história", afirma Paulo Borges, criador e diretor da semana de moda.

 

A literatura da moda também ganha espaço nessa temporada fashion, com o lançamento da revista MAG! Passion, que destaca a ex-modelo brasileira Bethy Lagardère, nesta terça, 16, às 21h30, e História da Moda, de Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa de Costura, publicado pela Cosac & Naify.

 

Chanel para todos

 

O ano é 1883. Imagine uma francesa à frente de seu tempo, capaz de ignorar as barreiras impostas pelos homens e apresentar uma nova proposta ao universo feminino - ser independente, versátil e competente, tudo isso no auge dos seus 20 e poucos anos. Parece uma história de conto de fadas, mas não é. Essa mulher existiu e, até hoje, é admirada pela revolução que causou no mercado fashion.

 

Gabrielle Bonheur Chanel, mais conhecida como Coco Chanel, pode ser tranquilamente considerada uma das estilistas mais importantes de todas as épocas. Essa admiração fez com que a vida dela virasse filme. Coco Antes de Chanel, que foi lançado em abril na França, estará nas telonas brasileiras em outubro, e conta a história da moça pobre que construiu um império de causar inveja a muitos designers. A atriz - também francesa - Audrey Tautou é quem a interpreta.

 

Nascida em Saumur, uma cidadezinha do interior francês, Coco teve uma infância difícil e simples. Jovem ainda, começou a fazer chapelaria durante a Primeira Guerra Mundial. "Naquele momento, a cidade estava cheia de pessoas da elite parisiense se refugiando por ali, para fugir do conflito. Foi assim que Coco não só formou sua clientela, como passou a fazer experimentações, fundindo elementos do guarda-roupa masculino no vestuário feminino", conta Patrícia Sant'Anna, professora de história da moda na Universidade Anhembi Morumbi. Suas roupas dispensavam o uso do espartilho, com forros simplificados e leves, e materiais inusitados e baratos. Um alívio para as mulheres daquela época.

 

Na década seguinte, mais precisamente em 1921, a criadora abre sua maison em Paris, batizada de Chanel. Ainda mais atenta aos corpos femininos, que agora dançam, andam pela cidade e fazem esportes, passa a vender cardigãs, twin-sets e suéteres para serem usados com saias retas. O look: vestido preto + cardigã + colar de pérolas se torna a marca registrada de seu estilo e, por conta do trabalho da estilista, é lembrado até hoje.

 

"Dificilmente dá para ditar tendência como Coco. Além de o momento ser propício a revoluções, ela fincou sua personalidade e criou um estilo que influenciou o comportamento das pessoas", explica Rosmari Zonta, estilista e consultora de moda. Para ela, hoje os tempos são outros e, pelo mercado da moda ter conceitos distintos, será difícil impor um tendência generalizada como fez Coco.

 

 

Se não bastasse ser consagrada no universo da moda com suas criações, a estilista decidiu lançar um perfume, o famoso Nº 5 (número da sorte dela), que ainda é sucesso de vendas entre as mulheres. Depois, foi um acerto atrás do outro, como o modelo de sapato que carrega o sobrenome Chanel, e a bolsa 2.55, de matelassê e alça de corrente, que desde 1955 é um hit e não sai por menos de US$ 1.500.

 

"A marca Chanel conseguiu um feito interessante, já que desenvolveu uma gama de produtos em uma época não tão favorável. Hoje é muito mais fácil manter uma linha, já que vivemos em uma sociedade bem mais industrializada", diz Maria Lúcia Bueno, coordenadora do curso de moda do Centro Universitário Senac.

 

No auge da fama, em meados de 1935, Coco empregava mais de 4 mil funcionários e vendia quase 28 mil modelos por ano, mas a estilista não contava com o pior: os efeitos da Segunda Guerra Mundial, que fizeram com que ela fechasse todas as lojas, mantendo apenas uma. Quinze anos se passaram, Coco tomou fôlego e fez um grande retorno, abrindo seus salões e recebendo o Oscar da Moda, com o título de "criadora mais influente do século XX". Coco Chanel morreu aos 87 anos e até sua coleção póstuma alcançou enorme sucesso.

 

Convocado para tocar o império Chanel, o estilista Karl Lagerfeld mantém o sucesso da grife até hoje, seguindo a tradição francesa de produzir peças elegantes. "A moda francesa é uma das mais chiques e inovadoras do mundo. Sempre busco referências daquela região para criar as minhas coleções. Não tem como escapar", revela Fause Haten, estilista que apresentará sua coleção na SPFW no próximo sábado.

 

Assim como o mercado fashion brasileiro passa por mudanças, o francês também se reestrutura: há rumores de que o diretor criativo Lagerfeld não deve renovar seu contrato com a empresa. Essa é mais uma etapa da história de Chanel que pode render um bom filme. Será a parte dois?

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