Leonardo Soares/AE - 9/9/2010
Leonardo Soares/AE - 9/9/2010

A força da palavra na voz de Stacey Kent

Cantora leva à Sala São Paulo disco em que retoma, com seu marido, os standards americanos

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2011 | 00h00

A palavra, em todas as sua roupagens e funções, é a grande obsessão de Stacey Kent, seja isso em sua maneira de abordar uma canção, ou de enriquecer sua própria vida. De volta ao Brasil depois da turnê de seu elogiado Raconte-Moi, em que a escolha do repertório era determinada pelo francês, língua que aprendeu com o seu avô, a cantora traz o novo The Lyric (a letra) em um show beneficente, que será acompanhado pelo grande Trio Corrente, na quarta-feira. No disco, Stacey colabora com seu marido e inseparável parceiro, o saxofonista Jim Tomlinson, um aprendiz das máximas de Lester Young, que dizia ser imprescindível aprender as letras de todas as canções antes de interpretá-las.

Para a dupla, trata-se de uma retomada do cancioneiro norte-americano com o foco em um repertório de letras notáveis. "Sempre discutimos a história das músicas, assim como as palavras. Essas são as coisas mais importantes de uma canção", explica Stacey, em entrevista ao Estado, falando um português afiadíssimo para quem nunca morou no País.

O disco é feito de belos clássicos, como I"ve Grown Accustomed to Her (His) Face e My Heart Belongs to Daddy, mas também traz Corcovado cantada em inglês. A pergunta que fica é: se Stacey fala tão bem português, por que não cantar o repertório brasileiro na língua original?

"Vocês têm a língua mais linda do mundo. As pessoas pensam que aprendo o português pela música, mas é por mim. É uma língua cheia de poesia e amor. Pense em Coração Vagabundo. A melodia e a harmonia são belas. Mas antes de entender a letra, eu não podia dizer que a conhecia de verdade. É uma canção cheia de esperança, que traz um equilíbrio entre a alegria e a tristeza que, para mim, está muito ligada à cultura brasileira. Coração Vagabundo, Desde Que o Samba É Samba, As Rosas Não Falam, todas têm essa qualidade", responde a cantora, que todo ano se matricula em um programa de imersão em que passa sete semanas falando somente português.

Nas horas vagas, Stacey mergulha em Clarice Lispector e Fernando Pessoa, para enriquecer sua vida. Seu show será em prol da associação Tucca, que dá assistência a crianças carentes com câncer. No baixo, o excelente Paulinho Paulelli se juntará ao baterista Edu Ribeiro e ao pianista Fábio Torres sob o nome de Trio Corrente, a melhor formação do gênero em atividade no País.

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