Ricardo Hara/Divulgação
Ricardo Hara/Divulgação

A festa dos melhores do teatro infantil

Premiação foi ágil e divertida como quase não se vê nesse tipo de evento

11 de maio de 2010 | 19h31

SÃO PAULO -  Na noite de segunda, a classe teatral voltada especificamente para o teatro infanto-juvenil ganhou uma das festas mais animadas do setor. O 17.º Prêmio Femsa, coordenado pela atriz e dramaturga Luiza Jorge, da Academia de Arte, distribuiu seus troféus aos melhores de 2009 em uma explosão de alto astral, graças sobretudo à direção cênica da cerimônia, a cargo do ator e dramaturgo Ângelo Brandini, que optou por deixar no palco, o tempo todo, a divertida Banda Escalafobética.

 

Logo de cara, duas notícias que agradaram a classe, transmitidas por Miguel Peirano, presidente da empresa, e por José Roberto Sadek, subsecretário municipal de cultura. A Femsa vai parar de descontar Imposto de Renda dos valores do prêmio: R$ 10 mil para as categorias de melhor espetáculo infantil e melhor peça jovem e R$ 5 mil para as demais. Esses valores passam a ser líquidos. A sala veio abaixo de contentamento. Outra boa novidade é a parceria da Femsa com a Secretaria Municipal de Cultura para duas iniciativas: espetáculos indicados ao prêmio do ano que vem serão exibidos no circuito dos CEUs e haverá mais uma mostra dos finalistas no Centro Cultural São Paulo.

 

Depois, a festa seguiu com a primeira homenagem: à atriz e veterana produtora cultural Nydia Lícia, de 84 anos. Em 1956, ela inaugura o Teatro Bela Vista, que hoje é o Teatro Sérgio Cardoso. Já em 1958, fez seu primeiro infantil, A Menina Sem Nome, de Guilherme Figueiredo. Nos anos 70, alugou o palco de um colégio de freiras na Rua Domingos de Morais e criou ali o Teatro Nydia Licia, que durou 14 anos, sempre voltado principalmente para as produções infanto-juvenis.

 

Produziu clássicos como Pinóquio, Cinderela e muitos outros, mas logo se uniu a um competente grupo de autores e, juntos, todos começaram a escrever os próprios espetáculos, como Este Mundo É um Arco-Íris, Libel - A Sapateirinha e Como Era Verde o Meu Jardim. Emocionada, Nydia subiu ao palco e cumprimentou os "heróis que fazem teatro para crianças", lembrando que foi pioneira em encher as plateias de teatro infantil com adultos. "Naquela época, os pais não entravam, deixam as crianças na porta e vinham buscar depois", contou. "Não pode ser assim. Teatro bom é teatro para todas as faixas etárias."

 

Na premiação, A Odisseia de Arlequino, da Cia. da Revista, que celebra a Commedia Dell’Arte, levou quatro troféus: melhor espetáculo infantil, direção, atriz e atriz coadjuvante (leia no quadro). O diretor da peça, Kleber Montanheiro, comemorou: "Sem brincadeira, tenho em casa dez placas de indicado ao Femsa, não aguentava mais ser indicado e não levar o prêmio. Agora, levei - e deixei Meryl Streep para trás", brincou. Outro espetáculo também levou quatro prêmios, O Colecionador de Crepúsculos, de Vladimir Capella, importante resgate da obra de Câmara Cascudo. Ganhou como melhor espetáculo jovem, iluminação, ator coadjuvante e figurino.

 

Amor e guerra. A melhor produção ficou para A Tragédia de Romeu e Julieta. O ator protagonista Raoni Carneiro declarou: "Não fizemos teatro jovem, nem infantil, nem adulto, apenas contamos uma grande história de amor num mundo de guerras".

 

Premiado como melhor ator, por O Mistério do Fundo do Pote (que também rendeu ao veterano Ilo Krugli o troféu de autor de texto original), Rodrigo Mercadante comentou: "É difícil falar em protagonismo quando se trabalha com um diretor como Ilo, que nos ensina a liberdade."

 

Um dos mais emocionados era Amauri Falseti, da Cia. Paideia, que venceu como autor de adaptação, por Com o Rei na Barriga. A melhor atriz, Veridiana Toledo, de A Odisseia de Arlequino, anunciou que está grávida e, agarrada ao seu troféu, tascou: "Nossa, amanhã vou acordar com um gás..."

 

Confira a lista dos premiados:

Espetáculo infantil

A Odisseia de Arlequino

Espetáculo jovem

O Colecionador de Crepúsculos

Texto original

Ilo Krugli - O Mistério do Fundo do Pote

Texto adaptado

Amauri Falseti - Com o Rei na Barriga

Diretor

Kleber Montanheiro - Arlequino

Cenógrafo

Marcia Abujamra e Marco Lima - A Bruxinha Atrapalhada

Figurino

J.C.Serroni e Telumi Hellen - O Colecionador de Crepúsculos

Iluminação

Davi de Brito e Vânia Jaconis - O Colecionador de Crepúsculos

Música original

André Abujamra - A Bruxinha Atrapalhada

Trilha sonora

Marcelo Gianini - Esperando Gordô

Ator

Rodrigo Mercadante - O Mistério do Fundo do Pote

Ator coadjuvante

Giovani Tozi - O Colecionador de Crepúsculos

Atriz

Veridiana Toledo - Arlequino

Atriz coadjuvante

Greta Antoine - Arlequino

Revelação

Ivan Ribeiro - autor - A Incrível Batalha pelo Tesouro de Laduê

Categoria especial

Criação dos bonecos de Filhotes da Amazônia

Produção

A Tragédia de Romeu e Julieta

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