A 'fast fashion' por uma peça antiga

Modelo italiana Chiara Gadaleta fala ao 'Estado' sobre sua busca por moda sustentável no Brasil

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Você passou pela "cadeia inteira de produção" da moda, foi modelo, estilista, stylist, consultora, apresentadora de TV. Só faltava ser empreendedora da moda.

Pois é. Até costurar eu sei. Adoro. Acho que fundar o Ser Sustentável com Estilo era o que faltava para unir duas pontas muito importantes da minha vida. Sempre fiz isso inconscientemente, sempre transformei materiais. Adoro reciclar minhas roupas, desmontar broches e outras peças e transformá-las em novas. Ao mesmo tempo, cheguei a um ponto da carreira em que perguntava: "E agora? O que mais falta fazer?"

Faltava investir na moda sustentável, que está, aliás, na moda.

Exato. Como disse, sustentabilidade é algo que eu já fazia, e muitos fazem, mas que não sabia dar um nome. Ser sustentável começa em casa, quando a gente, em vez de comprar roupa fast fashion, guarda uma peça antiga e a transforma, compra algo em um brechó. Foi pensando nisso que passei quatro anos pesquisando o tema para, hoje, lançar o instituto Ser Sustentável com Estilo, o #S.S.E.

Como aplicar, na moda, o conceito de sustentabilidade, que muita gente ainda não entende exatamente o que é?

É o processo de interdependência. E isso não é só questão de moda. É de sobrevivência. A indústria fashion movimenta milhões. E polui muito também. Não se pode comprar roupa com mão de obra semiescrava a preço de banana, com material sem qualidade, sem responsabilidade social, e achar que não se vai pagar, em um futuro muito próximo, o preço real disso.

Você já foi chamada de ativista e até de anarquista da moda. Concorda com o rótulo?

Não. Ganhei o rótulo só porque comecei a falar do "novo luxo", que é ligado à moda sustentável. Mas, se ser anarquista é dizer não a toda esSa forma predatória de se fazer moda, então eu sou.

Qual a missão do #S.S.E.?

É exatamente fazer entender que estamos todos ligados. Em geral nas semanas de moda a gente só olha para uma ponta da cadeia de produção: o estilista, a passarela. Mas se esquece que por trás de um desfile há costureiras, piloteiras, a parte industrial, a matéria-prima... É isso que quero fazer cada vez mais, conscientizar de que estamos todos conectados.

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