A famosa editora de bolso Penguin comemora 70 anos

A Penguin, editora de livros de bolso mais famosa do mundo, que revolucionou o mercado editorial, comemora 70 anos. A editora marcou época com suas capas elegantes e simples, com linhas horizontais brancas e coloridas, variando de acordo com o assunto. Esses primeiros títulos viraram peças de colecionador.Allen Lane, que acaba de ter sua biografia lançada na Grã-Bretanha, fundou a editora com o símbolo do pingüim em 1935. Como diz seu biógrafo, Jeremy Lewis, Lane não foi, no entanto, o primeiro editor de livros de bolso, mas o primeiro a oferecer qualidade e elegância tipográfica nesse formato na Inglaterra, voltado para quem viaja de trem ou metrô diariamente.O editor até inventou uma máquina para as estações ferroviárias, o chamado "Penguincubator", que por apenas seis pence jogava um livro como se fosse uma lata de refrigerante. Nascido em Bristol (Inglaterra), em 1902, Lane estudou só até os 16 anos e não mostrou inicialmente muito interesse pelos livros, apesar de ter conseguido emprego numa editora de um parente distante.No entanto, ele aprendeu rapidamente todos os segredos do ofício e, embora não fosse intelectual, tinha grande tato para perceber, lendo apenas algumas páginas, o que valia a pena ser publicado.Assim, por exemplo, enquanto trabalhava para a editora de seu parente, Bodley Head, lançou a primeira edição de Ulisses, de James Joyce, em 1936, enquanto o poeta T.S. Eliot, que dirigia naquela época a editora Faber, vacilara na decisão.Essa coragem seria repetida muitos anos mais tarde, em 1960, quando, para comemorar os 25 anos, a Penguin publicou uma versão completa do romance de forte carga erótica O Amante de Lady Chatterley, escrito em 1928 por D.H. Lawrence. O livro foi perseguido pela lei britânica de publicações obscenas e o caso foi julgado no famoso tribunal londrino de Old Bailey. Lane ganhou a causa e ficou milionário depois de vender três milhões de exemplares.Não foi fácil, no entanto, convencer o mercado editorial das vantagens do livro em edição rústica. Os editores de livros de capas duras estavam convencidos de que as reimpressões em formato de bolso iam arruinar o mercado para suas próprias edições baratas e muitos deles se negaram a dar as licenças necessárias.Lane também encontrou forte resistência por parte dos donos de livrarias e foi uma mulher, a esposa de Clifford Prescott, dono do império de lojas Woolworth´s, que convenceu o marido a incluir os livros de bolso nas prateleiras.A Penguin começou reimprimindo obras cedidas por outras editoras de autores populares como Ernest Hemingway, Agatha Christie e André Maurois, mas rapidamente Lane começou a publicar também seus próprios originais, Penguin Specials.Muitos eram encomendados a especialistas e estavam relacionados a temas de atualidade da época como a Guerra Civil Espanhola ou a perseguição dos judeus pelo Terceiro Reich. Como informa o biógrafo de Lane, a Segunda Guerra Mundial fez da Penguin uma espécie de instituição nacional e, graças ao êxito dessa série especial, o governo forneceu à editora uma quantidade de papel muito maior do que aos concorrentes.Lane soube aproveitar isso muito bem, editando aquela que muitos consideram a melhor revista literária da época, a Penguin New Writing, a coleção de pintores modernos com reproduções coloridas, e a de clássicos, iniciada com uma tradução da Odisséia, de Homero.

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