A face oculta do poder

No mínimo, um ótimo thriller político. Mas, com ele, uma bela reflexão sobre o poder e seus engodos. Tudo isso pode ser dito a respeito de O Escritor Fantasma, novo filme de Roman Polanski, que entra em cartaz na sexta. Mais ainda: à maneira dos romances à clef, ele também usa personagens ficcionais para falar de gente de carne e osso. Gente poderosa, que ocupou cargos importantes e tiveram papel, nem sempre muito nobre, na história mundial recente.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

Um deles, por certo, é Adam Lang, vivido pelo ex-007 Pierce Brosnan. Ele é ex-primeiro-ministro britânico que está "escrevendo" suas memórias com a ajuda de um ghost writer. Lang, apesar da advertência clássica de que "todos os fatos e personagens são ficctícios, etc..", lembra demais Tony Blair e sua participação na invasão do Iraque.

De qualquer forma, é nesse ambiente soturno que o escritor vivido por Ewan McGregor embarca. Sem emprego, topa a tarefa, aliás muito bem paga, e parte para o encontro com o político que, depois de deixar o poder, vive numa ilha isolada, nos Estados Unidos. Lá, McGregor descobrirá coisas inesperadas sobre o seu personagem, e também sobre seu antecessor na tarefa de ajudar o homem poderoso a escrever sua autobiografia.

Como acontece com os filmes de Polanski, também neste o domínio do clima e da tensão é total. Não basta ao cineasta ter uma boa história. É preciso trabalhá-la em termos de imagens, sons, fotografia e montagem para que dê certo na tela e envolva o espectador. É o que acontece aqui, sob a batuta de quem tem em seu currículo grandes obras como Chinatown e O Inquilino.

Mas também é interessante ver como Polanski maneja suas habilidades cinematográficas no sentido de conduzir uma reflexão madura sobre o poder e seu inevitável lado obscuro. A sociedade aberta e transparente é uma ilusão, mais uma promessa que uma realidade.

O ESCRITOR FANTASMA

Nome original: The Ghost Writer. Direção: Roman Polanski. Gênero: Drama (128 minutos).

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