A estreia certeira do Pulo do Gato

A música brasileira dá novas provas de não cessar com seus respiros criativos. Naturalmente, a maturidade vem com o tempo, mas o disco Conversa de Camarada, do Trio Pulo de Gato, embora seja o primeiro da carreira do grupo, é uma das gratas surpresas deste ano. Com o álbum viabilizado pelo FICC (Fundo de Investimentos Culturais de Campinas), Júlio Melo (baixo elétrico), Dhieego Andrade (bateria) e Marcio Pinho (violão) conseguem fazer um som refinado - sem ser pretensioso - e extremamente brasileiro. O trio acertou a mão ao optar por gravar temas de nomes de respeito, como Garoto, Guinga e Aldir Blanc, Paulo Bellinati, Marco Pereira e Ulisses Rocha, mas não se furtar de também revelar suas composições próprias. Das crias do grupo, entraram no disco a brejeira e belíssima Tá Pra Chover, de Júlio Melo, com convenções, ataques e dinâmica exemplares; além das emotivas e reflexivas Na Casa dos Pais e Caio no Mar, ambas de Marcio Pinho, sendo a primeira com a participação luxuosa do sax soprano de Teco Cardoso e a última, com o violoncelo de Lara Ziggiatti.

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

Sobre os temas de outros autores, o grupo não se contentou apenas em gravar obras de medalhões, acrescentando sua marca com arranjos bem cuidados. De Marco Pereira, a escolhida foi Bate-Coxa. De Paulo Bellinati, Embaixador. De Guinga e Aldir Blanc, Côco do Côco. De Garoto, Choro Triste nº 2. E de Ulisses Rocha, Volta Rapidinho. É curioso notar que o trio pinçou temas de compositores que tranquilamente estão entre os nomes mais importantes da história do violão brasileiro. Que venham os próximos do Pulo do Gato com a mesma alma e entrega deste disco de estreia.

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