A escrita como registro da memória do homem

Uma exposição grandiosa sobre a história da escrita será inaugurada esta noite, para convidados, no Instituto Cultural Banco Santos. Trata-se de uma seleção de 500 relíquias arqueológicas, peças de arte, manuscritos, livros raros e outros objetos garimpada na Cid Collection (acervo de dez mil itens reunido na coleção do banqueiro Edemar Cid Ferreira) pelo curador Leandro Karnal com o intuito de criar uma mostra da memória e seu suporte, a escrita. Mesclam-se no mesmo espaço referências que vão da China de 9 mil anos atrás à figuras que nos são contemporâneas, como Oscar Niemeyer. "A pluralidade cultural e a riqueza de dados dos diversos povos fizeram com que a escrita, em suas diversas formas, seja a garantia de que há sempre alguém, em algum lugar registrando e produzindo mais do que um traço ou símbolo gráfico: está produzindo memória", afirmam Karnal e José Alves de Freitas Neto, que o auxiliou na curadoria. O texto é reproduzido no catálogo, um dos três subprodutos da mostra (que também motivou a publicação de um livro acadêmico com 14 textos de especialistas e a edição de CD-ROM educativo). Para organizar esse vasto material, Marcello Dantas criou três núcleos cenográficos, cada um deles com um desenho que remete à formas presentes em quase todas as grafias: Berços da Escrita; Arte e Ciência; e Poder e Cotidiano. O primeiro grupo, que se organiza em torno de um eixo central em forma de x, reúne as peças ligadas ao nascimento da escrita. Pedras com os motivos geométricos, selos e tabletes de culturas da Suméria, Sabá, Babilônia e outras civilizações antigas. Também há um núcleo reservado ao Egito, com destaque para um sarcófago em madeira do período entre 1069 e 945 a.C. No mezanino, onde se concentram exemplos de cartas e documentos manuscritos por figuras importantes da cultura e ciência ocidental (Verdi, Wagner, Villa-Lobos, Monet, Gauguin, Genet, Portinari, Victor Hugo, Tolstoi, Mário de Andrade, Thomas Edison, Charles Darwin, Einstein e Freud, entre outros), foi criado um largo corredor de vitrines. O conteúdo preciso desses documentos só pode ser apreendido no final da exposição, onde parte dos textos são disponibilizados ao público. No terceiro e último núcleo, que assume a forma sinuosa e maleável da letra S, também se sobrepõem uma grande quantidade de documentos, nos quais destacam-se referências mais pertinentes à história do Brasil. A Escrita da Memória - Espaço expositivo do Banco Santos. R. Hungria, 1.100, Jd. Paulistano, 3856-9591. 10h/17h30 (sáb. dom. e fer., até 16h30; fecha 2.ª. Grátis. Abertura hoje, para convidados, Para o público, a partir de quarta.

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