'A Doença da Morte' ganha adaptação para o teatro

A densidade e a poesia sobre a impossibilidade de amar, características da obra de Marguerite Duras (1914-1996), emergem sob o diálogo turbulento entre um casal na peça "A Doença da Morte", no Teatro Augusta, até 26 de agosto. Originalmente concebido como obra literária, o texto de 1982 já tinha a indicação da autora, nascida na Indochina (atual Vietnã), de pais franceses, e conhecida pelo romance autobiográfico "O Amante", para que fosse levado ao palco.

AE, Agência Estado

29 de junho de 2012 | 11h21

Esta montagem foi concretizada graças ao esforço da produtora Lulu Librandi, que, há três anos, já havia produzido na cidade outro espetáculo da escritora, "A Música Segunda". Lulu convidou o diretor Marcio Aurelio para comandar a encenação de agora. Ele também é um apaixonado pela obra de Marguerite, desde quando, na juventude, assistiu a "Hiroshima, Meu Amor", filme de 1959, com direção do cineasta francês Alain Resnais e cujo roteiro é dela.

"A Doença da Morte", traduzida por Vadim Nikitin, traz o embate amoroso entre um homem e uma mulher. Ela é contratada por ele para que lhe ensine a amar. "A personagem feminina detecta nele a doença da morte, que, para ela, é a incapacidade de amar, de conseguir se relacionar, de ver o outro, de estar com o outro, de não só se relacionar com os seus pequenos autismos pessoais", diz a atriz Paula Cohen, intérprete do papel. Paula divide o palco com o ator Eucir de Souza, em uma atuação que demonstra bastante intimidade do casal em cena.

O ator diz que ficou impressionado com a identificação que o texto provocou nele e considera que todos temos, em algum grau, a "doença da morte". "Quando comecei a estudá-lo mais a fundo, percebi que trata de uma questão pertinente muito latente hoje, que é essa incapacidade de a gente ver o outro, amar e entender que ali tem uma vida e que aquela pessoa também tem suas vontades."

E cabe ao espectador dar sua interpretação ao que vê neste duelo entre o masculino e o feminino. "São muitas ações na cena, absolutamente nada realista. É encantatório porque você sai daquele realismo típico dos anos 1950 e entra para um texto completamente novo, ainda absolutamente sensível à realidade de hoje", diz Marcio Aurelio. As informações são do Jornal da Tarde.

A DOENÇA DA MORTE

Teatro Augusta (Rua Augusta, 943, Consolação). Tel. (011) 3151-4141 .

Até 26/8. Sexta, às 21h30; sábado, às 21h; domingo, às 19h. Ingressos: R$ 50 (sexta e domingo) e R$ 60 (sábado). 16 anos.

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