A doce solidão do Glasvegas

Há uma onda negativa, sorumbática e depressiva no universo pop (seja rock, eletrônico, rap e todas as intersecções). E parte da culpa pode ser da banda escocesa Glasvegas, que em 2007 e 2008 surgiu na cena britânica explicitando coisas como morte, suicídio, crimes com faca, sequestro. Tudo com um pop desgraçado e soturno de fazer músicas do Joy Division parecer trilha de aniversário infantil. Tudo bem bandas fazerem som assim, mas daí o disco de estreia chegar ao número 2 da parada de álbuns, shows esgotarem ingressos e canções tipo Geraldine (sobre uma assistente social que tenta convencer desolados a não se atirarem da janela) tocarem sem parar devia chamar a atenção do parlamento britânico. O tempo passou e agora o Glasvegas lança seu novo álbum, de nome assim grafado EUPHORIC /// HEARTBREAK \\\\ e cuja primeira música, Pain Pain, Never Again traz a mãe do vocalista fazendo um spoken word sinistro, em cima de guitarras em reverberação. É a mesma história do primeiro disco, mas neste o Glasvegas quer levar seus papos sobre morte a caminho de uma grandiosidade à la U2. O disco está longe de ser desprezível, mas é indicado a quem costuma sonhar estar sozinho e perdido em oceano aberto em cima de um bote à deriva no inverno numa noite de tempestade. Ou terminantemente proibido para essas pessoas.

Lucio Ribeiro, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2011 | 00h00

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