A distribuição como segredo de sucesso

Para produtores, relação com o público alvo explica bilheteria de filmes como Cilada.com

O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h10

Enquanto visitava o set de E Aí, Comeu?, o produtor Augusto Casé comemorava o sucesso de Cilada.com, planejava os próximos lançamentos, próximas filmagens e a festa de fim de ano da Casé Filmes. De fato ele tem o que comemorar. "Foi um ano bom. Começamos com a campanha ótima que Muita Calma Nessa Hora fez. O filme estreou em novembro de 2010 e ficou dez semanas em cartaz, foi visto por quase 1,5 milhão de espectadores. Depois veio Cilada.com em julho, que teve público de 3 milhões e foi a maior bilheteria de filme nacional no País em 2011. E agora estamos preparando este novo e outros que virão. É ou não é para comemorar?"

É. Motivo de comemoração também é a fórmula simples, mas eficaz que o produtor encontrou para alcançar o tão difícil público brasileiro. "Apostamos em filmes com apelo popular, comédias... E não só de uma tipo só. Cada um dos três projetos, por exemplo, tem uma personalidade e um público muito diferente e bem definido. E enquanto filmamos um longa, já estamos preparando outro. Este ano vai acontecer algo inédito na produtora. Vamos terminar de filmar um em dezembro e já começar a rodar outro, Os Caras de Pau, em março. E em seguida, vamos começar o Muita Calma Nessa Hora 2. E ainda filmaremos o Cilada.com 2. Esta vitalidade é ótima, mas é fruto de uma estratégia muito rigorosa nossa."

Esta talvez seja a receita de sucesso da Casé Filmes. Unir o investimento em roteiros bons, leves e dinâmicos, a produção bem acertada com uma equipe experiente (incluindo diretores convidados como Felipe Joffily, que sabe se adaptar muito bem a projetos encomendados e dar seu toque pessoal a eles) e acertar muito bem a distribuição e saber seu público alvo. Na guerra pelo público, planejar cada vez mais a distribuição ainda na fase de produção de um filme tem sido a solução encontrada pelos produtores brasileiros que têm conseguido atingir o tão sonhado 'um milhão de espectadores'.

Muita Calma Nessa Hora, por exemplo, conta a história de três amigas que viajam para Búzios e têm suas vidas transformadas. É perfeito para o público feminino teen cansado de comédias adolescentes americanas. Já Cilada.com traz Bruno Mazzeo vivendo o Bruno, um cara que comete a maior das maiores mancadas com a namorada, vai parar na internet e tem de cortar um dobrado para provar que ainda a ama. É uma comédia com muito romance, ou um romance com muita comédia. Aliás, E Aí, Comeu? também não seria isso? Sim. O filme pode até enganar pelo título, mas não é, como bem lembra Mazzeo, "uma comédia pé-na-jaca". "Pelo contrario, é um filme para as mulheres verem e adorarem. É como se elas estivessem olhando pelo buraco da fechadura o papo de bar dos homens", comenta o autor Marcelo Rubens Paiva.

Por falar em bar, ele é o único cenário do filme que não é locação real. "A gente estava procurando um bar pelo centro do Rio, exatamente na região que está meio esquecida, mas que merece, e vai, ser revitalizada na cidade. Encontramos uma fábrica que já foi um bar. Com o ótimo trabalho do Tulé Peak, nosso diretor de arte, virou o bar mais lindo do Rio. Pena que tivemos de desmontar", conta Casé, que, uma vez terminadas as filmagens de E Aí, Comeu?, já finaliza e prepara o lançamento do novo filme. "A previsão é de que seja em julho de 2012. Queremos sempre seguir esta linha, aproveitar meses de férias, dialogar com o público brasileiro e ocupar um espaço que é nosso, que não só a Casé, mas várias outras produtoras brasileiras já conquistaram e vão conquistar ainda mais."

Entre os próximos projetos da Casé, estão dois dramas e um filme infantil. "O infantil será o Bonita Luz, inspirado no livro homônimo. Este é outro público em que queremos apostar cada vez mais. Já o primeiro drama será Boca do Inferno, sobre Gregório de Matos Guerra, rodado na Bahia, pela Monique Gardenberg (com quem Casé já trabalhou em Benjamim) e outro será baseado em uma história que aconteceu com minha mãe. Será um thriller que jamais pensei que fosse ser inspirado em algo que minha mãe passou, mas garanto que será surpreendente", adianta o produtor. / F.G.

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