A discreta despedida do Caffè Romano

No cumprimento de um rito de bom gosto, o Caffè Ristoro Romano fecha as portas no Carnaval. Desta vez, elas estão cerradas para sempre. Era um restaurante de cuja ausência os modos elegantes de Higienópolis irão se ressentir. Mais do que isso, sai de cena um símbolo de época, como se fosse um Muro de Berlim a separar uma antiga noção de naturalidade distinguida e a faminta legião dos arrivistas da fast-food que acabaram por ocupar, com a barulhenta cumplicidade de uma Praça Vilaboim transformada em playground, toda a vizinhança.Segundo sua assessoria, Fernando Henrique Cardoso ainda não havia sido informado até ontem à tarde do acontecimento infeliz. Mas, por mais que o poder e Brasília tenham ultimamente privado o filé à parmegiana do Caffè Romano de um seus habitués, o presidente da República certamente há de lamentar o fim de um típico baluarte do Grão-Tucanato, o raro reduto de guardanapos de linho, baldes de champanhe em prata e máquina manual de café capaz de dar à nobiliarquia do PSDB a saudosa sensação de estar na Place des Vosges, em Paris.Leia mais

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