A difícil arte da escrita para crianças

Os animais sempre inspiraram o escritor e ilustrador americano Eric Carle. Basta ler dois de seus livros publicados pela Callis Editora, Uma Lagarta Muito Comilona e Sonho de Neve. "Procuro estender uma ponte entre o lar e a escola", comenta ele que, aos 81 anos, é autor de mais de 70 livros.

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

03 Abril 2011 | 00h00

Carle começou a ilustrar em 1967, depois de trabalhar durante anos como diretor de uma agência de publicidade. Com a atividade, ele não apenas utilizou a criatividade para um público muito específico, como também conseguiu retomar temas da própria infância, vivida na Alemanha. Sobre seu trabalho, Carle respondeu, por e-mail, às seguintes questões.

Qual é a dificuldade em simplificar assuntos para crianças?

Meu cuidado é justamente simplificar e refinar, ser lógico e harmonioso. Esse empenho, eu adquiri na escola de arte da Alemanha, onde estudei design.

Qual o maior desafio ao escrever para crianças?

Bem, procuro não classificar crianças como um grupo. Melhor não diferenciá-las. Com isso, o desafio começa com a criança que ainda tenho dentro de mim: se consigo entretê-la, então estou no caminho certo.

Em que você se baseia ao criar personagens?

A maioria dos meus livros é sobre animais, mais especificamente insetos. Mas também utilizo como modelos pessoas que conheci quando criança. É inevitável inspirar-me nas minhas próprias experiências.

Quando você começa a escrever, quanto você já sabe sobre a trama e os personagens?

Todo livro é muito distinto do outro. A primeira ideia começa com um clic, um fragmento que gradualmente vai se encorpando, às vezes rapidamente, em outras mais vagarosamente. Ao longo do processo, muitas ideias ficam pelo caminho. Muitas vezes, o início da história surge com uma facilidade incrível, fico empolgado e logo sei como vai terminar. Mas, e o recheio? Não tenho a mínima ideia. O processo geralmente é o mesmo: o início é divertido, seguido de uma fase de intenso trabalho. Quando o livro está pronto, sou tomado por uma imensa tristeza. E, quando recebo a obra publicada, a alegria é infinita.

Em um mundo dominado por imagens velozes, como é possível prender a atenção das crianças nos livros?

Depende da criança. Mas, seja como for, é muito importante criar certos hábitos, como ler para a criança, sentá-la em seu colo, mantendo-a próxima de seu peito. Atos simples como esses passam o recado de que você se interessa por ela, dispõe de tempo para dividir e para amá-la. Nesse momento, um livro se torna algo superior que um simples objeto com palavras e imagens.

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