Peter Wynn Thompson/AFP
Peter Wynn Thompson/AFP

A despedida de Oprah

A terceira mulher mais influente do mundo termina programa criado há 25 anos

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Depois de 25 anos comandando um programa todas as tardes, Oprah Winfrey foi ao ar pela última vez na quarta-feira. Considerada a terceira mulher mais influente do mundo e segunda maior celebridade, depois de Lady Gaga, de acordo com a Forbes, a apresentadora conseguiu parar parte dos Estados Unidos na tarde desta quarta-feira para se despedir de sua audiência - 15 milhões de pessoas, com 13,3% da audiência, a maior do horário desde 1994. Agora, ela se dedicará ao comando de seu novo canal a cabo, o OWN, que leva as suas iniciais

"Não direi adeus. Direi até nos vermos novamente", afirmou Oprah, chorando, no fim de seu programa. Muitos dos presentes também estavam emocionados. Desta vez, ao contrário do que ocorreu nas últimas duas décadas e meia, a apresentadora não fez grandes surpresas e tampouco permitiu que a surpreendessem. Não teve distribuição de carro nem homens adultos confessando terem sido vítimas de pedofilia. Nenhuma celebridade subiu ao palco para falar com ela.

Oprah optou por contar como foram esses anos à frente do programa e se despedir de seu público, em uma mistura de "monólogo com sermão de domingo", nas palavras da comentarista de TV do New York Times, Alessandra Stanley. Também houve momentos de stand-up, quando ela tirou sarro de suas próprias roupas nos anos 1980 e 90.

Ao longo desses 25 anos, Oprah não faltou uma vez sequer ao trabalho nos cerca de 5 mil episódios, em um programa que conta com mais de 400 produtores. "Vocês (telespectadores) e este show foram os grandes amores da minha vida", disse ela. No último dia, o preço para 30 segundos de comercial era de US$ 1 milhão.

Seu novo canal não terá a mesma capacidade da ABC, disponível em rede aberta. Ainda assim, por cabo, a OWN estará presente na residência de 80 milhões de americanos, pouco mais de um quarto do total da população. Toda a programação seguirá o perfil da apresentadora, que também terá seu show, mas em um formato diferente do atual.

Oprah liderou por anos o ranking de maior celebridade do mundo, elaborado pela revista Forbes. Apenas neste ano, a apresentadora foi superada pela cantora Lady Gaga, ficando em segundo lugar. Ela também é considerada a terceira mais poderosa mulher de todo o mundo, atrás apenas de Michelle Obama e da executiva Irene Rosenfeld, mas à frente da rainha Elizabeth e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Para completar, é a única mulher negra a integrar a lista de bilionários da Forbes, com fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões.

Sua influência pode ser comprovada em números levantados pela imprensa dos Estados Unidos, como a TV pública PBS. Cerca de 48 milhões de pessoas assistiam ao seu programa todas as semanas, 55 milhões de livros foram vendidos depois de ela recomendar a leitura e sua revista tem circulação de 2 milhões de exemplares/mês.

Nos últimos anos, seu programa enfrentava queda de audiência, mas sem afetar sua influência. A internet teria sido uma das responsáveis, mas analistas não descartam que muitas pessoas assistiam ao seu programa online. "Quanto mais velha, rica e bem-sucedida ela se tornou, mais complicado ficou se identificar com as pessoas, especialmente as mais jovens", disse Jenice Peck, uma de suas biógrafas, ao comentar com jornalistas o fim do programa de Oprah, anunciado há mais de um ano.

Amiga do presidente Barack Obama, Oprah, que vive em Chicago, é considerada uma das responsáveis pela vitória do líder americano sobre a atual secretária de Estado, Hillary Clinton, nas primárias democratas em 2008. Nascida pobre no Mississippi, com uma história repleta de tragédias, Oprah se tornou para muitos o símbolo do sonho americano, ao superar adversidades para se transformar na maior estrela da TV americana.

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