A despedida da turma de Don Draper

Matthew Weiner, criador de 'Mad Men', fala sobre a temporada final da série, que será dividida em duas partes

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2014 | 02h13

A felicidade dos antitabagistas deve ser proporcional à tristeza dos fãs de Mad Men. A série, em que cigarros são acesos incontáveis vezes, segue para a sétima e última temporada, que começa amanhã, às 21 horas, na HBO, um dia após ir ao ar nos EUA. Matthew Weiner, criador da atração, não consegue esconder a saudade que terá de Don Draper (Jon Hamm) e da turma de publicitários dos anos 1960, cujo dia a dia serve como mote para a produção.

"É interessante porque a natureza de uma série de TV é continuar a cada semana. Você luta para criar um piloto cuja premissa é seguir em frente em mais de um episódio. Terminar é algo que nunca está em mente. A cada semana, você quer que termine, mas, na verdade, não quer acabar com tudo. A cada final de temporada, eu sentia como o fim da série. Estamos tentando levar como uma temporada comum, exceto pela emoção do fato de que é a última vez em que veremos esses personagens", lamenta o produtor e roteirista.

Weiner conta que não havia pensando em como a história terminaria quando inventou a série. "Pensei nesse final alguns anos atrás e ele será como eu queria que fosse. Como Mad Men é baseada na experiência da vida real, não há nenhum mistério a ser descoberto. Estou tentando terminar de uma maneira que satisfaça", teoriza.

A nova temporada será dividida em duas partes, assim como Breaking Bad, também produzida pelo canal norte-americano AMC. Sete episódios vão ao ar este ano e os outros sete em 2015. A etapa final da série mostrará Don após o vexame com clientes durante uma reunião na agência, exibido no ano passado. O publicitário também terá de lidar com o casamento com Megan Draper (Jessica Paré), turbulento por causa da vida profissional da atriz e das puladas de cerca do protagonista.

Apesar de ambientada em uma agência de publicidade, a atração retrata as mudanças sociais, como o avanço do feminismo, impactos da guerra fria e a segregação dos negros nos EUA. Os novos tempos mexeram com Don Draper, que bebeu mais do que o normal e experimentou drogas.

"Agora, ele será afetado da mesma maneira. Parte da trama é mostrar como é difícil ser alguém. Ele é um homem já em uma certa idade, cuja vida começa a ficar confusa. Ele tem uma vida mais dramática e interessante que alguns de nós, senão, não valeria um programa de TV", disse Weiner ao Estado em teleconferência com a imprensa internacional. "Na última temporada, ele estava em crise sobre tudo o que fez, perdendo a autoconfiança."

O fato de Don Draper esconder seu nome verdadeiro, Dick Whitman - ele pegou a nova identidade de um ex-companheiro de guerra, morto em conflito - e seu passado, o protagonista não é malvisto pelo público. O criador compara seu personagem com figuras públicas, como o empresário John D Rockefeller (1839-1937) e o ex-presidente Bill Clinton, que construíram suas histórias. "A literatura e atitude dos EUA é sobre o sucesso, o que você pode fazer sem se importar com a sua origem ou condição", sentencia.

Weiner, que escreveu roteiros de Família Soprano, acredita que, se Don vivesse nos dias de hoje, com internet e redes sociais, não teria problemas com os anunciantes. "Ele faz tudo de um ponto de vista pessoal para todas soluções criativas. Sempre diz o que quer em vez de tentar adivinhar o que o mercado quer." O produtor reconhece que será difícil criar outra série longeva. "Não espero que o sucesso que tive aconteça de novo."

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