Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

A demolidora Janelle

Disso parece que ninguém discorda: Janelle Monáe foi melhor em tudo

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

Se o sucesso de Amy gerou expectativas extrapoladas sobre o que a cantora realmente faz ao vivo, com a espoletíssima soul woman Janelle Monáe a história foi outra. O hype que acompanha o disco The ArchAndroid (eleito o melhor de 2010 pelo Guardian e com presença comum em diversas listas de melhores do ano) foi bancado, aqui em São Paulo, com mais uma de suas eletrizantes apresentações de punk, soul, e rock psicodélico.

Janelle junta estes e outros estilos para fazer soul music contemporânea com referências aos mestres do gênero. O smoking dos antigos crooners, a estética egípcia e afro futurista de Sun Ra e George Clinton, a capa e as sacadas performáticas de James Brown (como o grand finale em que Janelle cai no chão e seus dançarinos a rodeiam com mãos trêmulas, como se a cantora estivesse pegando fogo) são destaques de seu currículo. Mas o que faz de Janelle uma herdeira digna destas vertentes da música afro americana é a disciplina e a implacável determinação com que a cantora encara a plateia. São ecos de uma era, pré direitos civis, em que quinze minutos de fama no mainstream de uma indústria dominada por artistas e gostos brancos não vinham de mão beijada para negros.

Em seu conciso show - e na personagem que encarna - não há tempo ou espaço para floreios. O espetáculo é o foco da atenção. Por isso, embora tenha uma voz impecável - ouvida na balada Smile, de Charlie Chaplin, em que o público começou a aplaudir a afinação certeira antes do fim da canção - Janelle não se encaixa na categoria diva.

É uma grande entertainer que canta, dança e interpreta com habilidade incomum. Prova disso foi a esfuziante versão de seu single Tightrope, sem dúvida o destaque desta caravana (às vezes transformada em circo) do soul que passou pelo País.

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