A dança entra na era digital

Um bailarino dança com imagens projetadas numa tela de cinema e cria um espetáculo diferente do tradicional. É o balé Mini@tures da companhia de dança Mulleras, que durante esta semana apresenta o espetáculo e ministra palestras e workshops no Itaú Cultural. O grupo francês Mulleras inicia o projeto Interatividades, que semanalmente - até dia 15 de dezembro - vai trazer grupos cujos trabalhos são resultados da união entre a arte tradicional e as novas mídias.Mini@tures, por exemplo, apresenta quatro bailarinos em cena que dançam com imagens previamente captadas por uma câmera de vídeo digital. O espetáculo foi originalmente criado para ser exibido na Internet e apresenta 100 minicoreografias. Durante o evento, será possível assistir ao original para a rede mundial de computadores e o trabalho criado para o palco.A gerente do núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, Sônia Sobral, acredita que o evento é a oportunidade de conhecer como engenheiros, webdesigners e técnicos em computação estão trabalhando. Nas próximas semanas, o projeto apresentará o trabalho do grupo mineiro Feito a Mãos, seguido de Cinema na Rede (encontro de representantes de quatro festivais virtuais), F@imp (festival de divulgação de trabalhos audiovisuais), as performances Despliegue e Kondition Pluriel.De 12 a 14 de novembro, o grupo de Belo Horizonte Feito a Mãos irá apresentar Mostruário Ilustrado, e mostra vídeos que funcionam como cenografia para cenas de dança e teatro.O Cinema na Rede acontece de 19 a 23 e terá exibições de curtas de festivais de animação. Representantes nacionais e internacionais do cinema de animação vão discutir em palestras as transformações do cinema com a produção digital. Na semana seguinte, de 25 a 29, haverá o F@imp, Festival Internacional de Promoção e Divulgação de trabalhos multimídia produzidos por instituições culturais em todo mundo.Na primeira semana de dezembro, de 3 a 8, a coreógrafa espanhola La Ribot traz para a cidade a instalação Despliegue, um dos destaques da programação. La Ribot apresenta um espetáculo de dança onde seu corpo não está em cena."São imagens da bailarinas dançando projetadas no chão e nas paredes do teatro", explica Sônia Sobral. Três imagens distintas estarão sendo projetadas em cada uma das superfícies. Numa delas, se verá a bailarina dançando num palco; em outra, a mesma coreografia será vista de cima. Há ainda as imagens que foram captadas pela bailariana enquanto ela dançava. La Ribot fez a coreografia com uma câmera de vídeo na mão.O trabalho que encerra o Interatividades também se destaca pela inovação. É o Kondition Pluriel, resultado da criação da bailarina canadense Marie-Claude Poulin e do artista multimídia e engenheiro austríaco Martin Kusch. Ela criou a coreografia e Kusch desenvolveu sensores que estão espalhados pelo palco e alteram o resultado do espetáculo.Conforme Marie-Claude se movimenta, ela aciona sensores que disparam sons e imagens diversas. Como a bailarina faz improvisações em cena, os espetáculos apresentados nunca são iguais, já que sons e imagens variam conforme seus movimentos.Interatividades, de hoje até 15 de dezembro, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149, tel. 3268-1776). Grátis.

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